Santos vence e Levir deixa o Botafogo

Santos jogou mal, principalmente no primeiro tempo, mas mesmo assim derrotou o Botafogo por 2 a 0, hoje à noite, na Vila Belmiro, quase vazia em razão das chuvas, recuperando-se da derrota de quarta-feira contra o Paraná. Diego, autor dos dois gols, foi o grande nome do jogo. No Botafogo, o técnico Levir Culpi decidiu entregar o cargo no vestiário. Desta vez, em definitivo. O presidente botafoguense, Bebeto de Freitas, aceitou o pedido e agora pocura um novo treinador para o seu time. A próxima partida do time de Leão será diante do Figueirense, quarta-feira, em Florianópolis. Nos primeiros cinco minutos do primeiro tempo, o Santos concentrou seus jogadores atrás da linha do meio-de-campo e aceitou a pressão do Botafogo. Até parecia uma atitude combinada, para atrair o adversário para o seu campo, visando possibilitar a saída em rápidos contra-ataques puxados por Robinho pela direita e Léo pela esquerda. Mas não era. Na verdade, a equipe, traumatizada pelo gol-relâmpago que sofreu diante do Paraná, no meio-de-semana, em Curitiba, apenas estava evitando uma nova surpresa, no começo. Depois, foi se soltando aos poucos e expôs todos os defeitos de um time desunido, com a maioria dos jogadores tendo objetivos distintos. O Botafogo cumpria o seu papel de time limitado, que vinha de goleada por 4 a 1 sofrida em casa diante do Goiás, defendendo-se e procurando aproveitar das falhas santistas. E mesmo em crise e sem grandes pretensões, foi o time carioca que esteve mais perto de abrir o marcador: aos 16 minutos, numa jogada bem trabalhada em frente à zaga santista, Túlio só não fez o gol porque teve o pé direito travado por Léo, dentro da pequena área, num pênalti ignorado pelo juiz Wilson de Souza Mendonça. Luizão, bem marcado por Alex ou Alcides quando estava adiantado, fazia a parede para os companheiros que chegavam de trás, ou então voltava para articular as jogadas. Além de insistir muito nas jogadas individuais com Diego e Robinho - neutralizadas pelo sistema de cobertura da defesa armado por Levir Culpi -, o Santos deixava espaço entre os setores por onde o adversário se organizava e chegava com perigo na área de Júlio Sérgio. Com Leandro imóvel entre Sandro e Gustavo, só restava ao Santos tentar o gol com chutes de fora da área, que era um dos seus pontos fortes até o final do ano passado. Mas as finalizações saiam sem direção. Nem a expulsão de Túlio, aos 21 minutos, por dar uma entrada violenta por trás em Diego, junto à lateral, na altura do meio-de-campo, fez com que o Santos, com um jogador a mais, tomasse conta do jogo, que estava à sua disposição desde o começo. Ao contrário: até Elano e Renato, que se destacam, entre outros quesitos, pela regularidade, abusaram do direito de errar nos passes e nos chutes no gol. Num lance patético, aos 40 minutos, Claiton cabeceou contra o seu próprio gol e só não pôs o Botafogo em vantagem no placar porque Júlio Sérgio fez uma grande defesa, demonstrando reflexo. No final do primeiro tempo, os jogadores saíram de campo com cada um tendo um palpite para resolver os problemas no segundo tempo. Renato: "Temos que melhorar as finalizações de fora da área para chegar ao gol, porque o Botafogo está muito fechado." Paulo César: "Precisamos tocar mais a bola para superar a marcação." Leandro: "É preciso abrir mais pelas laterais e chegar mais gente de trás." Diego: "Merecíamos estar vencendo. E vamos vencer." Para o segundo tempo, Leão fez a sua parte, trocando o fraco Paulo César pelo dinamismo de Preto Casagrande, além de colocar Pereira no lugar de Alcides, que saiu contundido no joelho direito. O resto foi com Diego, que assumiu o time e teve uma de suas melhores atuações depois da campanha de 2002. Aos 10 minutos, embora seja um jogador do meio do campo, estava dentro da pequena área e aproveitou o rebote de Jefferson, num chute forte de Robinho. Aos 27, o 10 santista assegurava a vitória, enganando Sandro na corrida e chutando cruzado, sem chance de defesa para Jefferson. Foi a noite de Diego, num jogo em que a maioria dos seus companheiros ficou devendo.

Agencia Estado,

25 de abril de 2004 | 20h25

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