Santos volta nesta 2ª, graças a Ricardinho

Ricardinho sugeriu e o Santos volta aos treinos nesta segunda-feira, apesar da liminar obtida pelo Sindicato dos Atletas na Justiça do Trabalho determinando que as férias dos jogadores terão que ser de 25 dias, com retorno às atividades no dia 14/1 (sexta-feira). Oficialmente, o grupo estará nesta segunda, às 9h, no Centro de Treinamentos Rei Pelé, apenas para um encontro com o novo técnico, Oswaldo de Oliveira, que vai expor o seu plano de trabalho para a temporada. Mas, na verdade, será a volta das férias e início da preparação com vistas ao Campeonato Paulista - a estréia do time será no dia 20, às 20h30, contra a Portuguesa de Desportos, na Vila Belmiro -, quatro dias antes do que determina a liminar do juiz da 2ª Vara da Justiça do Trabalho de São Paulo, Márcio Mendes Granconato. De acordo com o vice-presidente Norberto Moreira da Silva, a idéia de voltar ao trabalho antes do tempo partiu de Ricardinho, que convenceu os companheiros a deixarem para gozar os quatro dias restantes de descanso para uma outra oportunidade. Seu argumento: muitos times que vão participar do Campeonato Paulista estão treinando há meses e se o Santos retornar em más condições físicas, seus jogadores estarão mais expostos às contusões. "O direito do trabalho é personalíssimo e como a decisão partiu dos jogadores, não há risco de o Santos sofrer alguma punição", esclareceu o gerente jurídico do clube, Mário Melo. Porém, por precaução, os jogadores vão assinar um documento redigido pelo advogado Marcus Vinicius Lourenço Gomes. Esse documento será protocolado na 2ª Vara da Justiça do Trabalho apenas para que o juiz Granconato tome conhecimento da decisão e também para que o Santos não corra o risco de ter que pagar a multa de R$ 100 mil por atleta a cada dia em que a liminar for desrespeitada. Com pouco mais de seis meses no clube, Ricardinho já se transformou no líder dos jogadores dentro e fora de campo. Quando a questão das férias estava sendo discutida no Sindicato dos Atletas, ele compareceu às reuniões como representante do grupo. Antes Ricardinho já havido sido ´a diferença´ em campo quando o time ficou sem Robinho, que enfrentava o drama do seqüestro de sua mãe, dona Marina, e Elano, contundido, na reta de chegada para a conquista do título, tornando-se o mais importante dos titulares. Além disso, esteve sempre no centro das decisões fora de campo. "Foi de Ricardinho o conselho para Basílio abrir mão da condição de titular do time quando Robinho, a dois dias do jogo final do Campeonato Brasileiro, apresentou-se em São José do Rio Preto, para enfrentar o Vasco da Gama", conta uma testemunha (pede para não ter o nome revelado) da intervenção do meia no episódio. "Dessa forma, ele livrou Luxemburgo de um tremendo ´pepino´, porque o técnico se complicaria se deixasse Robinho de fora, embora ele estivesse sem a menor forma técnica, e ficaria mal se simplesmente tirasse Basílio, que vinha jogando bem, apesar da enorme responsabilidade de substituir o principal jogador do clube depois que Pelé parou de jogar. Já campeão e com o time em férias, Ricardinho também mostrou força com o presidente Marcelo Teixeira, indicando Oswaldo de Oliveira para o lugar de Luxemburgo, que foi para o Real Madri. Antes de ir falar com o dirigente, convenceu os atletas de que Oliveira era o técnico ideal. Poucos dias depois, Ricardinho voltou a ser decisivo para que o Santos conseguisse contratar por empréstimo o meia Tcheco, seu companheiro no futebol de salão, quando ainda eram garotos, em Curitiba, e no Paraná Clube, quando tudo indicava que a próxima parada do jogador do Al Ittihad, da Arábia, seria o São Paulo.

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