Santos x Palmeiras: partida de opostos pelo Paulista

Luxemburgo e Emerson Leão são desafetos; em contrapartida, Alex Mineiro e Kléber Pereira são velhos amigos

Daniel Akstein Batista e Sanches Filho, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2008 | 21h34

Atual bicampeão paulista, o Santos de 2008 está fora dos trilhos. Foi um dos times que menos contrataram na temporada, perdeu vários jogadores e, logo na estréia, foi derrotado pela Portuguesa por 2 a 0. A torcida chiou, se irritou, pichou os muros do CT Rei Pelé. Emerson Leão, o treinador que voltou à Vila Belmiro, está com a língua afiada. Reclamou que os reforços não chegaram e, em um dos seus primeiros dias no clube, criticou Vanderlei Luxemburgo, seu antecessor. Justamente o rival deste domingo, na segunda rodada do Estadual. Vencer o Palmeiras, às 16 horas, na Vila, virou obrigação para o Santos - um resultado negativo pode causar mais ira nos torcedores.Veja também: Classificação Calendário / ResultadosQue Luxemburgo e Leão são eternos desafetos todo mundo já sabe. Eles não negam e não escondem de ninguém. "Um não vai convidar o outro para jantar em casa", fala o agora palmeirense. Mas apesar das desavenças, os dois evitam qualquer duelo particular no jogo de hoje. "Isso é tudo que os jornais querem", diz Leão. "Ficam esperando para saber o que ou vou falar. Somos duas pessoas que não se agradam, mas que são tachados de bons treinadores e que, portanto, tem de dar bom retorno aos seus clubes."Luxemburgo segue o mesmo discurso. "Não vamos passar para o lado pessoal, nada de rivalidade. Existe Santos e Palmeiras e eu vou fazer de tudo para o Palmeiras ganhar."O time alviverde é o favorito. E não só por ter vencido o Sertãozinho na estréia por 3 a 1. O elenco é mais forte, reforços chegaram. E, apesar de não contar com todos os contratados, estará sem nenhum desfalque hoje. Ao contrário do Santos, que não contará com o lesionado Rodrigo Souto. Por isso, Leão, que reconhece a fragilidade de sua equipe, vai abrir mão do atacante Wesley e procurar a vitória só nos contra-ataques. Luxemburgo exige a vitória palmeirense em seu reencontro com os santistas. Em 1998, foi recebido na Vila com uma chuva de moedas pelos torcedores, que não o perdoaram por ter trocado o Santos pelo Corinthians. "De onde saio, eles ficam órfãos", comentou esta semana. Mesmo assim, o técnico comandou o time da Baixada em outras ocasiões.Hoje, pode até receber as vaias de alguns santistas. Mas elas serão mais direcionadas a Leão, caso o Santos perca outra partida. VELHOS AMIGOSEm 2007, o Palmeiras tentou trazer Kléber Pereira e Alex Mineiro. Não conseguiu nenhum dos dois. O primeiro preferiu vestir a camisa santista; o segundo seguiu no Atlético Paranaense. Passado alguns meses, o time do Palestra Itália finalmente conseguiu contratar Alex e atacante não decepcionou: logo na estréia, quinta-feira à noite, em Barueri, fez dois gols no triunfo sobre o Sertãozinho, por 3 a 1. Neste domingo, os dois estarão em campo, cada um defendendo sua equipe. Dois amigos que, em 2001, foram campeões brasileiros pelo Atlético-PR, nas finais contra o São Caetano."O Kléber é um grande jogador, atuei com ele em 2001 e cada um marcou 17 gols no Campeonato Brasileiro", lembrou Alex Mineiro. "Ele é um artilheiro e é preciso cuidado", disse o palmeirense, que sonha ser o goleador máximo do Estadual. "Eu sei fazer gols", avisou.Kléber Pereira também lembra com carinho dos tempos de Atlético-PR. "Como pessoa, só posso falar bem do Alex. Apesar da pressão, ele está demonstrando o porquê veio para o Palmeiras. Além de fazer gols, também está jogando bem", comenta. "Mas no domingo tenho de pensar no Santos que vive uma situação mais delicada do que a do Palmeiras." Apesar da derrota na estréia do Campeonato Paulista para a Lusa por 2 a 0, Kléber Pereira acredita que o Santos tem condições de ganhar o clássico. "A melhor maneira de lidar com a pressão é se dedicar ao máximo, como o torcedor exige. E assim o resultado aparece."Os dois amigos vivem situações opostas neste domingo. Mas enquanto Kléber Pereira já conquistou a torcida santista - marcou 16 gols em 27 jogos -, Alex Mineiro acredita que vai conseguir honrar a camisa 9 que um dia já foi do matador Evair. "É o meu objetivo. Vou tentar fazer o máximo de gols neste campeonato", disse, otimista.

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