São Caetano busca o primeiro título

Chegar a decisões, nos últimos três anos, se tornou uma rotina para a comissão técnica e jogadores do São Caetano. Assédio da imprensa e de torcedores, tensão, ansiedade, viagens, estádios cheios, enfim, tudo o que envolve uma final deixou de ser novidade. Só falta um detalhe, exatamente o mais importante: o título. E para acabar com o estigma do vice que tanto os incomoda, resultado de duas derrotas consecutivas em finais de Campeonato Brasileiro (2000 contra o Vasco e 2001 diante do Atlético-PR), o alvo foi o trabalho extra-campo. "Agora vai! O momento é do São Caetano" é o discurso geral.Trabalho extra-campo significa, em outras palavras, cuidado com o aspecto emocional do grupo. E não é para menos. Um simples empate nesta quarta-feira, às 21h45, no Pacaembu, contra o Olimpia, faz da equipe do ABC a campeã da Taça Libertadores da América (os brasileiros venceram a primeira partida, em Assunção, por 1 a 0), situação que, até pouco tempo, era inimaginável até para o torcedor mais fervoroso. "Perdemos as duas decisões talvez pela inexperiência. Faltou tranqüilidade em alguns momentos", explicou o técnico Jair Picerni.E para afastar a chance de nova frustração, o treinador teve de atentar para um ponto até então desconsiderado em seus bate-papos com os atletas: a humildade. Explica-se. Por ser o São Caetano um clube considerado "pequeno", uma das maiores preocupações da comissão técnica sempre foi evitar que esse complexo de inferioridade contaminasse o grupo. "Em nossas conversas, falamos 80% sobre o São Caetano e 20% a respeito do outro time. Se falarmos mais dos outros, os jogadores vão valorizar mais o adversário", dizia Picerni antes do jogo no Paraguai.Mas a vitória no primeiro jogo provocou uma nova situação. Diante do clima de ?já ganhou?, o técnico precisou agir na contramão. Na última semana, o tom das conversas mudou. "Falei para eles (jogadores) que não podemos entrar no campo achando que já ganhamos a competição. É preciso valorizar o Olimpia, que é um time muito rápido e habilidoso", afirmou Picerni. "E olha, baixar a bola da moçada dá mais trabalho do que erguer."100% - Na terça-feira o São Caetano fez seu último treino no CT do São Paulo, na Barra Funda. Pelo menos com relação à escalação, Picerni está tranqüilo. Sem contusões ou jogadores suspensos, poderá entrar no campo com o que tem de melhor. E nem mesmo os jogadores do São Paulo conseguiram ficar indiferentes à presença do visitante. Alguns, entre eles o meia Kaká, pentacampeão com a seleção, confessaram sentir uma ?inveja saudável? da situação vivida pela equipe do ABC.Desta vez o São Caetano leva? Clique aqui para participar da enquete

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