São Caetano fica nas mãos de dirigente

Modelo de clube profissional no Brasil, o São Caetano virou empresa. A diferença em relação às mudanças ocorridas em outros clubes é que a grande parte das ações está concentrada nas mãos apenas de dois dirigentes. O novo dono do time do ABC é o atual presidente, Nairo Ferreira de Souza, que também é homem de confiança do prefeito da cidade, Luiz Olinto Tortorello. A São Caetano Futebol Ltda passa a ser a responsável pelo departamento de futebol do clube, sendo que 10% do controle de um capital de R$ 100 mil são da Associação Desportiva São Caetano e os 90% restantes pertencem ao presidente Nairo Ferreira de Souza e ao vice, Luiz de Paula. Sendo 45% para cada um. Na teoria, Nairo tem mais ações, porque além de sua parte (45%) ainda representa os 10% do clube, totalizando 55%, portanto, a maioria. Como homem forte do clube-empresa, Souza poderá, legalmente, obter lucro com a negociação de qualquer jogador. Na tese, ele legaliza uma situação que já existe no clube, que conta com a participação de alguns investidores de peso como Samuel Klein, dono da rede varejista Casas Bahia, e o uruguaio Juan Figer, empresário que goza de muito respeito no futebol. O caso do São Caetano não é único. O Palmeiras, por exemplo, também já passou por esta transformação. A diferença em relação ao São Caetano é que a empresa criada em 1999 mantinha 99,9% da participação com clube e o restante era dividido entre quatro pessoas. Entre eles, o atual presidente, Mustafá Contursi. Os dirigentes do São Caetano, porém, não gostam de comentar a mudança ocorrida em abril do ano passado. Ela, porém, é baseada na lei 10.672 que garante o direito de transformação de um clube em empresa. Conhecido como a lei da "moralização do futebol", o texto incentiva os clubes a se constituírem uma sociedade empresarial. A partir da modificação, o clube passa a seguir as regras de sociedades limitadas e não mais de associações comuns. Em 15 anos de vida, o São Caetano é um clube que já goza de prestígio nacional e até internacional. Entre suas principais conquistas estão os vice-campeonatos brasileiro - 2000 e 2001 - e o título de vice-campeão da Taça Libertadores em 2002.

Agencia Estado,

25 de março de 2004 | 09h17

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