São Caetano troca Tite por Muricy Ramalho

O ciclo de Tite no São Caetano terminou nesta segunda-feira. Um final decepcionante para um casamento que prometia muito sucesso e, principalmente, a conquista de um título importante: a Taça Libertadores da América. Mas o que derrubou o técnico foram os resultados negativos no Campeonato Paulista, evidenciado pela derrota de 1 a 0, em casa, para o Marília, domingo, em pleno estádio Anacleto Campanella. Muricy Ramalho, ex-Internacional, que já tinha sido contactado na última semana, está confirmado como novo técnico do Azulão e se apresenta nesta terça-feira cedo. O novo técnico está otimista em relação ao seu futuro. "O São Caetano já tinha tentado me contratar outras vezes e não deu certo. Agora estou livre e aceitei o desafio. O elenco é forte e temos condições de brigar por títulos na temporada". Muricy já tinha manifestado desejo de trabalhar no futebol de São Paulo para ficar perto de sua família. Chegou a recusar vários convites de clubes de outros Estados. Ele também terá sua própria comissão técnica, com Tata, ex-atacante da Portuguesa de Desportos, como auxiliar técnico e Carlito Macedo como fisicultor. Reunião final - A reunião decisiva entre o Tite e os dirigentes foi ríspida e rápida logo após o almoço. Os resultados negativos pesaram. O time não vencia há cinco rodadas do Campeonato Paulista e não vinha apresentando um futebol convincente. E teve tudo à sua disposição, desde a estrutura do clube até as mais novas contratações, todas indicadas por ele, como o lateral Anderson Lima e os meio-campistas Gilberto e Lúcio Flávio. A queda estava evidenciada nos vestiários do clube após a derrota em casa para o Marília, por 1 a 0, domingo. Ao contrário do costume, Tite saiu logo para atender a imprensa. "Essa pressão existe em qualquer grande clube. Eu esperava resultados melhores, mas tenho que superar essa situação adversa", dizia Tite, ainda com um fio de esperança de ficar para reverter a situação. Mas admitiu que a classificação estava cada vez mais distante. Para conseguir uma vaga, segundo suas contas, o time precisaria de nove dos 12 pontos que ainda vai disputar. Antes mesmo do jogo, o prefeito da cidade, Luis Tortorello, não escondia a difícil situação do treinador, deixando claro que um tropeço seria fatal. E foi mesmo. Tortorello, além de comandar a cidade, é o homem-forte do São Caetano. O presidente Nairo Ferreira foi lacônico: "Os resultados não vieram e a mudança é o melhor para as duas partes". Após a reunião com a diretoria, Tite se isolou. Lamentou sua saída, alegando que faltou um pouco mais de tempo e que alguns reforços demoraram para chegar. "Mas havia um planejamento e uma meta que poderíamos atingir", completou. Sobre seu futuro, muita incerteza, pelo menos de momento. O Parque São Jorge poderia ser seu novo destino. "Talvez, mas ninguém me procurou oficialmente. Enquanto o Corinthians tiver um treinador, no caso o Juninho Fonseca, não acho ético nem falar sobre o assunto". É claro que, agora, ele está livre para acertar com quem quiser. Números ruis - O curto tempo de preparação neste início de temporada atrapalhou o trabalho do técnico. Mesmo estreando com vitória de 4 a 2 sobre o The Strongest-BOL, pela Taça Libertadores, o time ia mal no Campeonato Paulista. Em seis jogos, conseguiu apenas uma vitória (ainda empatou quatro e perdeu uma). Com isso, o São Caetano ocupa a sétima posição no Grupo 2, com sete pontos. Só os quatro primeiros colocados continuarão na briga pelo título. No total foram 34 jogos, dos quais venceu 14 , empatou 10 também perdeu 10.O novo técnico vai estrear contra o Palmeiras, sábado, no estádio Anacleto Campanella, pelo Campeonato Paulista. Para esse jogo, o zagueiro Serginho, suspenso pelo terceiro amarelo, é desfalque certo. Gustavo, recuperado de contusão, deve voltar. O volante Marcelo Mattos, que cumpriu suspensão automática, também ficará à disposição.Dança dos técnicos - Com a queda do Tite, passam a ser cinco os treinadores que receberam o bilhete azul neste Paulistão. Antes dele, já haviam caído Barbieri, do Guarani; Márcio Rossini, no Oeste, de Itápolis, Jorge Rauli, no Mogi Mirim e Play Freitas no União São João.

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