São-paulinos fazem festa no Morumbi

A torcida do São Paulo deu nova demonstração de sua paixão pela Copa Libertadores. Apesar do horário da partida contra o Quilmes - 21h45 de uma quarta-feira - do alto preço dos ingressos e das dificuldades de locomoção para chegar ao Morumbi, os torcedores encheram o estádio e fizeram grande festa, ainda no ritmo da comemoração do título paulista."Não tem nada igual a vir ao estádio. É a melhor diversão que o brasileiro tem. Só quem nunca veio que não sabe o que é essa sensação", diz a representante comercial Alexssandra Sea, de 33 anos, que foi ao jogo com o marido, Denilson, a sobrinha Erika, de 18 anos, e os três filhos: Denilson, de 15, Vinicius, de 11, e Giovani, de 9.Alexssandra e Denilson freqüentam o Morumbi desde que começaram a namorar, aos 16 anos. "Os jogos da Libertadores a gente não perde um. É um campeonato que desperta interesse muito maior, pelo intercâmbio entre as nações", diz Denilson. "Até porque o Paulista está meio sem graça, antigamente era mais competitivo." Nesta quarta-feira, o público foi bom no Morumbi, mas um pouco abaixo do esperado e não superou o da vitória por 4 a 2 sobre o Universidad de Chile, em 9 de março, de 41.852 pagantes. Denilson e Alexssandra dizem que já deixaram de ir aos estádios, por causa da violência, mas hoje encontraram a fórmula para não correr riscos. "O truque é chegar duas horas antes e ir embora uma hora depois. E a gente só vem de taxi", afirma Denilson. Os dois, porém, reclamam do preço dos ingressos."Gastei 120 reais para vir com minha família, para ficar atrás do gol. A falta de incentivo desestimula. No ano passado, tinha a promoção com as lanchonetes Habib´s e eu gastava só R$ 30", afirma. "É caro, muitos acabam deixando de vir", completa Alexssandra.Os dois fazem sacrifício e não deixam de ir ao Morumbi. "Eu vim até quando estava grávida de oito meses. É muito bonito, pela vibração do esporte, da torcida. Os jogadores dão o sangue", afirma Alexssandra. O filho Vinicius tentou entrar no estádio, uma vez, com três anos, mas foi barrado. Depois, começou a freqüentar quando fez quatro. "Gosto do Rogério Ceni, ele joga bem no gol e ainda marca gols", diz o garoto, prevendo goleada. "Vai ser quatro ou cinco a zero. Gosto mais dos jogos da Libertadores porque joga contra outros países." Entre a criançada, o goleiro são-paulino continua sendo o jogador preferido. "Gosto dele porque bate bem falta e é o que está há mais tempo no São Paulo", afirma Rodrigo Rosa, de 12 anos, um dos cerca de 120 garotos que entraram em campo com o time do São Paulo. "É uma experiência muito boa. Só de ver a arquibancada lotada o coração bate mais forte", diz Rodrigo, que joga futebol na escolinha do clube em Santana, na zona norte.Viagem - Cerca de 150 torcedores argentinos viajaram de Buenos Aires a São Paulo para o jogo. O estudante Martin Rojas, de 27 anos, veio de ônibus, acreditando na vitória, e se impressionou com as ruas da capital paulista. "O Brasil é muito limpo, não tem papel nas ruas. O Quilmes veio para ganhar, mas um empata já convém", afirmou, antes do jogo.Nos arredores do Morumbi, os estacionamentos ilegais continuaram funcionando e cobrando R$ 20 por vaga. Já a ação dos flanelinhas foi coibida pela Polícia Militar: muitos nem tentaram trabalhar e pelo menos outros 83 acabaram detidos.

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