São-paulinos têm dia calmo na Argentina

A calma predominou na capital argentina nas horas que antecederam ao jogo do River Plate contra o São Paulo. Ao contrário das profecias que sustentavam que ocorreriam incidentes entre torcedores dos times, a Polícia Federal não registrou problemas. Sob o céu nublado, os portenhos atarefaram-se com seus trabalhos. Este ritmo frenético só foi amainado pela interrupção, no meio da tarde, do jogo das seleções do Brasil e da Argentina na Alemanha, pela Copa das Confederações. O Hotel Hilton, onde estavam hospedados os integrantes do São Paulo, contava com dupla proteção. Por um lado, a policia, que colocou grades de proteção ao redor do edifício, além de guardas para impedir tumultos. Por outro, a proteção natural do bairro de Puerto Madero, que - por estar isolado por canais e pontes - é uma espécie de "ilha" ao lado do centro portenho. O jornal "Olé", pelo segundo dia consecutivo ironizou os temores dos jogadores e da torcida são-paulina. "Renda-se, você está cercado" foi o título da reportagem na qual relatava que - na hora do desembarque no aeroporto de Ezeiza na terça-feira à noite - o São Paulo suscitou um esquema de segurança digno da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o "Olé" destacou a presença dos "hooligans" brasileiros pertencentes à torcida independente do São Paulo. O "Olé" sustentou que a torcida proveniente do Brasil trouxe 30 pessoas preparadas para "uma guerra". Hoje, no início da noite, para estimular o público no estádio a não recorrer a atos de violência dezenas de voluntários da campanha "Não mais violência" realizariam tarefas preventivas entre os torcedores. Para o colunista Miguel Ángel Bertolotto, do jornal "Clarín", a noite de hoje "não é uma noite qualquer". Segundo ele, tratava-se da "glória" ou de "Devoto" (a imunda prisão da cidade de Buenos Aires). Com o título de "A sobremesa será servida no Monumental", o jornal "Página 12" confiava que a jornada seria plena de vitórias argentinas. Mas, ao mesmo tempo, o jornal indicava que "a vida do River terá uma jornada transcendental", já que o time teria que vencer o São Paulo por três gols de diferença caso quisesse manter as chances de ficar com o troféu tão almejado da Libertadores. COLAPSO - Um suor frio escorria pela nuca das lideranças do River hoje no fim da tarde, poucas horas antes do jogo. Se o time não vencesse, estaria em risco a continuidade do técnico Leonardo Astrada. O técnico possui contrato até o fim deste ano. Mas, se não conseguir título algum ao longo de 2005, seria irremediavelmente afastado. Além disso, o River mergulharia em profundas brigas políticas internas, já que no fim deste ano o clube também passa por eleições para a definição da nova diretoria, que atualmente mantém-se no poder com dificuldades.

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