São-paulinos vão acreditando na taça

"O São Paulo vai ser campeão, sim senhor." A frase, carregada no erre, ao melhor sotaque de moradores do interior, foi a tônica antes do jogo deste domingo, contra o Santos, em Mogi Mirim (SP). A confiança era grande desde o início do dia. Foi uma verdadeira festa na cidade, que fica a 140 Km da capital. O relógio nem marcava 14 horas e as proximidades do estádio tinham grande público, vindo de ônibus, carona, bicicleta e, muitos, a pé.O maior símbolo de confiança era Antônio Coutinho de Souza, de 84 anos, dono da cadeira cativa número 168 (proprietário a mais de 20 anos). Às 15 horas, o simpático velhinho usando camisa do São Paulo, chapéu e um guarda-chuvas como apoio chegou. Antes, claro, a bengala improvisada serviu para se proteger do escaldante calor de 34 graus e sol forte. Sozinho?. "Não meu filho, eu e Deus", afirmou, com largo e sincero sorriso.Antônio não queria perder nada. "Vou ver o primeiro título do São Paulo na cidade na qual moro há 60 anos", vibrava o mineiro de Pouso Alegre, que já sofreu muito na roça paulista. "Fui criado na fazenda com a inchada na mão, capinando." Além de torcer, ele tinha outra missão no estádio. Fiscalizar a arbitragem. "Aqui não pode roubar o Mogi Mirim (time da casa) nem o meu São Paulo. Se errar vou xingá-lo. Vou chamá-lo de filho de mãe solteira." E depois do jogo, vai festejar em casa? "Que nada, estarei no Jardim do Lago (ponto de encontro na cidade). E nada de dormir, vou virar a noite, bebendo muito...Suco de laranja." Festa na estrada - O clima festivo dos são-paulinos começou cedo. Logo pela manhã preparou-se para as duas horas de estrada. Ao longo da Rodovia dos Bandeirantes, Dom Pedro I e SP 95 ou 304 (a placa indicava os dois nomes). Via-se buzinaço, seja no comboio de ônibus, nos carros lotados e até nas motocicletas. Todos exibiam, com orgulho, o símbolo do time de coração. Uns com bandeiras enormes, outros, mais discretos, tremulante a camisa. E tudo isso, antes de o jogo começar.O fato engraçado foi um kombi parada na beira da estrada. Quebrada? Não, os torcedores estavam urinando. E, ao mesmo tempo, cantando o hino do time.

Agencia Estado,

03 de abril de 2005 | 17h33

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