São Paulo abraça as seleções da Copa e Santos terá navio com 5 mil mexicanos

Base de 15 das 32 equipes que disputarão o Mundial, Estado já vive clima do torneio

Gonçalo Junior, Paulo Favero e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2014 | 16h00

SÃO PAULO - Das 32 seleções que disputarão a Copa, nada menos do que 15 escolheram o Estado de São Paulo como base para treinamento. E isso já mexe com a rotina das cidades eleitas para receber os times. O Estado visitou algumas delas e mostra como estão os preparativos para o Mundial. Em Campinas, por exemplo, onde a colônia portuguesa é composta por nove mil pessoas, Cristiano Ronaldo já virou até nome de prato em um bar e um concurso entre alunos da rede pública vai recrutar gandulas para trabalhar nos treinos da seleção. A prefeitura também lançará um movimento para recriar o clima da Eurocopa de 2004, quando os portugueses enfeitaram as suas casas com bandeiras do país.

Em Itu, o QG da Rússia está sendo reformado exclusivamente para receber a seleção do técnico Fabio Capello. A comunidade japonesa da cidade também está eufórica e já prepara uma recepção calorosa para os nipônicos. Em Santos, a expectativa é que cinco mil mexicanos “invadam” a cidade e usem o maior porto do País como ponto de partida para acompanhar a seleção durante o Mundial. Funcionários da prefeitura estão aprendendo a falar espanhol para atender os turistas e comerciantes esperam lucrar com o torneio. Na cidade de Mogi das Cruzes, uma réplica da estátua Manneken Pis, símbolo de Bruxelas, será instalada no centro só para deixar Mogi com a “cara da Bélgica”. 

MEXICANOS NO PORTO DE SANTOS.

O Santos já se prepara para uma invasão mexicana durante a Copa. Conhecidos pelo seu fanatismo, os torcedores do México devem desembarcar em peso na cidade para apoiar a seleção. “Fizemos um estudo prévio e identificamos o México como uma seleção prioritária. Era nosso sonho porque é um dos países que mais levam torcedores em todas as Copas do Mundo. A estimativa é que 30 mil virão ao Brasil”, diz o prefeito Paulo Alexandre Barbosa.

Não à toa, um dos embaixadores da cidade para a Copa é o ex-jogador Clodoaldo, que fez parte da lendária seleção brasileira que conquistou o tricampeonato mundial no México, em 1970. A expectativa é que pelo menos cinco mil mexicanos utilizem o Porto de Santos durante a Copa. De lá, sairão cruzeiros que passarão pelas cidades onde a seleção jogará na primeira fase (Natal, Fortaleza e Recife).

Desde o ano passado, funcionários da prefeitura estão frequentando cursos de idiomas a fim de melhor atender os turistas. A prefeitura também prepara uma ampla agenda nos próximos meses para projetar a imagem da cidade para o mundo. Um dos trunfos é a aguardada inauguração do Museu Pelé, que deve ficar pronto até a Copa. “Vamos ambientar a toda a cidade e preparar uma grande festa durante os meses de junho e julho, com músicas e comidas típicas”, promete Barbosa. Já como parte do plano de estreitamento de relação e das comemorações do aniversário da cidade, será disputado hoje, na Vila Belmiro, um amistoso entre as seleções sub-21 de Brasil e México. A ideia é a cidade entrar desde já no clima de Copa do Mundo.

Na arquibancada da Vila estará o mexicano Pablo Mejia Turatti. E com direito a sombrero, bandeira e camisa do México. Ele conheceu a esposa, a brasileira Valéria Maradei, em Cancún, onde os dois se casaram e tiveram dois filhos, Paola e Fernando. A família veio para o Brasil há dez anos. À distância, Pablo, torcedor fanático do Pumas, nunca deixou de acompanhar o seu time e, principalmente, a seleção. Agora, ele terá a oportunidade de estar ao lado dos principais jogadores do país. “A expectativa é grande porque, como mexicano, eu me sinto como uma espécie de representante do meu país aqui em Santos.”

A passagem do México pela cidade também representa uma oportunidade para Pablo tentar faturar alto. Dono de um restaurante de entrega de comida mexicana, ele prevê aumento na clientela durante a Copa do Mundo. “Tem tudo para vender bastante.”

Quem também está empolgada com o Mundial é a costa-riquenha Karol Nhandy Lopez. Casada com o brasileiro Daniel Simões, ela está em Santos desde 2005 e só tem contato com seus compatriotas através da internet. “Sou a única costa-riquenha de Santos. Há nove anos não vejo ninguém da minha terra. Meu espanhol já virou portunhol. Até me esqueci de algumas gírias e expressões.”

Quando ficou sabendo que a seleção da Costa Rica havia escolhido Santos como base para os treinos antes e durante a Copa, Karol viu a chance de se reencontrar com as suas raízes. “Sei que não temos um supertime, mas isso pouco importa. Eu estou animada só de poder me encontrar com outras pessoas do meu país. Quem sabe até nós não comemos juntos um gallo pinto (prato típico da Costa Rica, à base de arroz e feijão fritos, acompanhados de pimenta, cebola, abacate e queijo)?”. Até por isso, nem o fato de estar no sétimo mês de gravidez do quarto filho a desanima. “Mesmo com a criança pequena, no colo, não vou perder essa oportunidade.”

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