São Paulo admite que deve "bichos"

Os prêmios do São Paulo estão atrasados. Assim como o direito de imagem. O clube não pagará imediatamente os R$ 25 mil que os jogadores terão direito se ganhar o título paulista amanhã. E ainda daqui por diante a filosofia será simples: acabou o ?bicho? por vitória e por classificação. Só conquista de título garantirá premiação aos atletas. Vice-campeonato para baixo não valerá um real. Assim como acontecerá amanhã no Morumbi. Se o time não derrotar o Corinthians não levará um real para casa, independente da ótima campanha no torneio estadual. E mais: faz parte das intenções do São Paulo vender um jogador importante como Kaká ou Luís Fabiano para equilibrar as despesas do futebol. As revelações são do diretor de futebol Carlos Augusto Barros e Silva. Ele esteve em Extrema hoje e confirmou a notícia que o clube deve aos atletas os prêmios do Brasileiro de 2002. "Estamos esperando receber da televisão e dos nossos patrocinadores para pagar o que devemos do Brasileiro. A questão é que pagamos uma fortuna pelas primeiras fases e depois o clube foi eliminado nas oitavas-de-final. Estamos devendo sim. Mas essa é uma questão que não nos atrapalhará na disputa desta final. Só não sei porque essa notícia saiu agora. Não tumultuará o ambiente do clube", dizia. O dirigente tentou minimizar como pôde a dívida por prêmiação, fato raríssimo na história do São Paulo. E aproveitou para deixar claro que eles deverão se adaptar a uma nova realidade. "Acabou aquela coisa de dar dinheiro a cada vitória. Os jogadores já ganham salários altíssimos e não está no contrato que eles têm direito a esse bônus a mais que é a premiação. A nossa filosofia que adotamos no Paulista de pagar só se for campeão deverá ser adotada daqui para a frente. Foi campeão, ganhou. Não foi, não ganhou. Não importa se for segundo colocado. Trabalharemos no São Paulo por objetivo. E o nosso objetivo é ser campeões em todas as competições que participarmos." E como aconteceu no Campeonato Paulista, os jogadores podem até conversar mas terão de aceitar as determinações impostas pela diretoria. E revelou também que apesar de a equipe já estar disputando a Copa do Brasil, os jogadores entraram em campo sem saber se seriam ou não premiados por eliminarem o São Raimundo. "Não discutimos ainda o que fazer ainda com essa competição", diz, ciente que será ela um atalho para a sonhada Libertadores da América. Como era de se esperar, os jogadores evitaram a discussão sobre o atraso. "Nós estamos pensando só no Corinthians", afirmou Ricardinho."Dinheiro agora é o que menos nos interessa", garantia Rogério Ceni. Mas nenhum dos dois líderes do time negou a questão da dívida. E o clima do treinamento foi muito mais alegre depois que a notícia da dívida foi divulgada. Eles sabem que os dirigentes agora deverão pagar o combinado. Carlos Augusto também confirmou a grande possibilidade da venda de um jogador importante para a Europa para equilibrar os gastos com o futebol. "Não é só o São Paulo que tem de vender jogadores. O Kaká e o Luís Fabiano são grandes jogadores e que despertam o interesse dos europeus. Nós vamos tentar mantê-los. Mas é claro que se surgir uma proposta dentro dos padrões que entendemos viável, nós teremos de vender para enfrentar os gastos que são cada vez maiores. Estamos no Brasil. O poder financeiro dos grandes clubes europeus é muito maior do que o nosso." O gerente de futebol, Marco Aurélio Cunha, disse que não falou com Ricardinho sobre prêmios. "Ele nunca me cobrou premiação. Ele e outros jogadores conversaram comigo na fisioterapia sobre os atrasos no direito de imagem. Essa conversa aconteceu uma semana antes do segundo jogo contra o São Raimundo. Não foi premiação. Foi direito de imagem. Mas todos os jogadores aqui estão felizes. Ninguém está atormentado pelos atrasos."

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