Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

São Paulo age para evitar que racha interno prejudique o time

Rivalidades na cúpula deixam Muricy Ramalho tenso e incomodado

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 Março 2015 | 07h00

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, agiu rápido nesta sexta-feira para amenizar o ambiente rachado depois do técnico Muricy Ramalho ter reclamado de forma contundente da divisão no clube e de que sofre perseguição. Em nota oficial, o dirigente garantiu a permanência do treinador até o fim do ano e tentou esfriar a existência de desentendimentos latentes.

Toda a situação ficou escancarada na entrevista do treinador após a vitória sobre o São Bento. Muricy voltou a explicar que tem inimigos nos bastidores e lamentou que a desunião no clube possa prejudicar o elenco. "Estamos muito divididos. A verdade é essa e não podemos esconder", comentou.

Em comunicado, Aidar garantiu que o técnico fica até o fim do ano e prometeu que terá o contrato renovado caso tiver interesse. O presidente justificou que fez o texto para esclarecer boatos e "interpretações distorcidas e contraditórias".

O racha citado por Muricy não está no elenco, mas sim, nas esferas mais altas do clube. O Estado apurou que presidente do clube e o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, não se entendem mais e viraram desafetos.

Ambos faziam parte do grupo político do ex-presidente Juvenal Juvêncio. Agora, um age contra o outro nos bastidores. Leco se aproximou da oposição e parte dos 240 conselheiros chegou a manifestar no começo da semana que o atual vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, deveria deixar o cargo. 

Dias antes, Ataíde causou mal-estar no clube ao reclamar da presença da torcida no clássico com o Corinthians e dizer que nem com os portões abertos o Morumbi ficaria cheio.

Muricy tem se sentido ameaçado pelas rixas internas e chegou a afirmar que tem notado no clube movimentações nos bastidores semelhantes às de 2009, quando foi demitido. Na ocasião, Leco era um dos dirigentes. Apesar do voto de confiança dado ao técnico, no começo do ano Aidar também causou mal estar ao cobrar publicamente Muricy por resultados.

O treinador garantiu que esses problemas não chegaram ao elenco e os jogadores também descartam receber influências. "Esses temas não entram no vestiário. Somos bastante blindados e pouco falamos sobre isso", disse o volante Hudson.

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