São Paulo, agora com Ambev, decide vaga

O jogo contra o São Caetano, neste domingo, às 16 horas, marca o início de uma série de confrontos decisivos para o São Paulo e uma seqüência de testes para que torcedores, dirigentes e comissão técnica avaliem o real potencial da equipe. Além de enfrentar um adversário perigoso, o time encara uma partida eliminatória e luta para provar que, apesar de jovem, sabe enfrentar situações mais difíceis, em que há pressão e cobrança. O duelo pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista vai carimbar, também, o começo de uma parceria entre o clube e a Ambev (Companhia de Bebidas das Américas), que patrocina a seleção brasileira. O contrato foi fechado nos últimos dias e terá duração de quatro anos. Segundo a Agência Estado apurou, a negociação, mantida em sigilo, já se arrastava havia quase um ano e vinha sendo conduzida por Eduardo Morato, executivo de Marketing. O Morumbi já terá, neste domingo, várias placas publicitárias com a marca da Brahma e a sala onde são realizadas as entrevistas coletivas dos atletas após o jogo será ?enfeitadas? com latas ou garrafas de Guaraná Antartica. Apenas bebidas da Ambev serão comercializadas no estádio a partir da próxima semana. A Coca-Cola, que não terá mais seus produtos vendidos no local, também negociava com o clube, mas fez oferta menor e acabou perdendo a disputa. Embora o assunto vá ser comentado neste domingo no Morumbi, os dirigentes farão a apresentação oficial do novo parceiro somente após o confronto com o Cobreloa, a ser realizado na quarta-feira, no Chile, pela Libertadores. Quais serão as vantagens com o acordo? A Ambev será uma espécie de co-patrocinadora ? a sul-coreana LG Eletronics é a principal e tem seu logo estampado na camisa da equipe ? e terá sua marca colocada nos painéis de entrevista do Centro de Treinamento e em placas no Morumbi. Para isso, a empresa pagará um valor fixo por ano ao São Paulo. O clube vai embolsar, também, parte do ganho arrecadado pela Ambev com venda de bebidas no Morumbi. E terá um bônus: o estádio tricolor deverá abrigar pelo menos um amistoso da seleção brasileira por ano, a pedido da fábrica de cerveja e refrigerante. O contrato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) dá à Ambev o direito de organizar um jogo por ano da seleção, pelo qual recebe o dinheiro da arrecadação. Com a marcação da partida para o Morumbi, além do aluguel do estádio, o São Paulo poderá faturar com publicidade estática. Os dirigentes não têm como calcular o valor total que o clube receberá em cada um dos quatro anos do vínculo, mas, somando-se a renda fixa com a variável, estima-se que a arrecadação possa girar em torno de R$ 2 milhões. Prova de fogo ? Muita gente no Morumbi se irritou quando torcedores rotularam o São Paulo, em algumas ocasiões, de ?pipoqueiro?. A fama foi adquirida depois de alguns tropeços. Em 2002, após brilhante campanha na 1ª fase do Brasileiro, o time foi desclassificado pelo Santos nas quartas-de-final. O mesmo ocorreu no Rio-São Paulo, no qual a equipe perdeu o título para o Corinthians, e na Copa do Brasil. Em 2003, perdeu o Paulista para o Corinthians na final e caiu diante do Goiás na Copa do Brasil. Rogério Ceni acha absurdo que definam a equipe como ?pipoqueira? e alega que, se o São Paulo perdeu, não foi por ter ?pipocado? ou ?amarelado?, como se diz na gíria do futebol, mas pelo fato de o oponente ter sido melhor. ?Então todos os outros participantes que não conquistaram o título também pipocaram?? Cuca tampouco gosta do tema e diz que a questão é levantada, sobretudo, pela imprensa. O treinador faz questão de garantir que o time está preparado para jogos decisivos, mas lembra que o São Paulo não está imune a derrotas. ?Se perdermos, não será porque afinamos, mas porque o São Caetano vai ter jogado melhor.? Depois de enfrentar o São Caetano pelo Paulista, a quem nunca venceu no Morumbi, o São Paulo pegará o Cobreloa, na quarta-feira. Se ganhar, ficará perto da 2ª fase da Libertadores, mas, se perder, poderá se complicar. O aproveitamento da equipe na temporada é, até agora, excelente. Venceu 10 das 12 partidas e perdeu só uma. Não teve, no entanto, compromissos teoricamente tão difíceis, como o deste domingo por exemplo. O mais complicado foi no Equador, contra a LDU, nos 2.850 metros de altitude de Quito: atuação fraca e derrota (3 a 0). Cuca aposta bastante em bom desempenho de Grafite, que marcou dois gols contra o Juventus e provocou o rebaixamento do time da Rua Javari - salvando o Corinthians. Embora satisfeito e confiante, o atacante acredita que os gols na última rodada vão aumentar sua responsabilidade. ?Se nós perdermos, vão falar que eu ajudei o Corinthians a se livrar do rebaixamento e não consegui ajudar o São Paulo a se classificar,? O elenco e a diretoria esperam pelo menos 30 mil torcedores apoiando a equipe no Morumbi.

Agencia Estado,

21 de março de 2004 | 09h27

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