São Paulo bate Fluminense com Morumbi lotado e volta a vencer

55.256 pessoas presenciaram a terceira vitória do time paulista na competição. Diretoria faz mandinga com sal grosso que dá certo

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Agência Estado

25 de agosto de 2013 | 18h01

SÃO PAULO - Depois de quase três meses, o São Paulo finalmente voltou a vencer no Brasileirão. Neste domingo, diante de mais de 55 mil torcedores no Morumbi, a equipe paulista jogou com autoridade principalmente no primeiro tempo, pressionou o Fluminense e ganhou por 2 a 1, com gols de Luis Fabiano e Reinaldo. Também valeu a mandinga da diretoria, que jogou sal grosso na escadaria de acesso ao gramado para espantar o agouro. Apesar do resultado, a equipe continua na zona de rebaixamento. A torcida, contente, mesmo assim empurrou o time a dar "olé" nos minutos finais. O Flu só descontou nos acréscimos.

Desde 29 de maio, quando fez 5 a 1 no Vasco, o São Paulo não vencia um jogo oficial. No período, fez 15 partidas (12 do Brasileiro, duas da Copa Sul-Americana e uma da Copa Suruga) e somou apenas os pontos de cinco empates. Dependendo do ponto de vista, agora a equipe pode comemorar três jogos de invencibilidade.

Não é coincidência que a primeira vitória de Paulo Autuori no comando da equipe em jogos oficiais (o São Paulo também venceu o Benfica pela Copa Eusébio) tenha vindo exatamente quando ele teve tempo para treinar o elenco. Desde o fim da Copa das Confederações, nesta semana pela primeira vez a equipe não teve jogos no meio da semana e pôde trabalhar normalmente. Méritos de Autuori, que neste domingo completa 57 anos.

Mesmo com a vitória, o São Paulo ainda é o 18º colocado, agora com 14 pontos, a três do Criciúma, o primeiro time fora da zona de rebaixamento. O Fluminense, que vinha de duas vitórias (uma delas pela Copa do Brasil), volta a ser ameaçado. Tem 18 pontos, no 15º lugar.

O JOGO

A falta de sorte era tanta que o São Paulo resolveu apelar para as forças sobrenaturais. Jogou sal grosso na escada que liga o vestiário da equipe ao gramado. Tudo para afastar as energias negativas antes do começo do jogo.

Culpa do sal grosso, da energia positiva da torcida ou de um novo espírito do time, as coisas simplesmente começaram a dar certo para a equipe do aniversariante Paulo Autuori. Desde o início, o São Paulo não jogava mais como time rebaixável. Pressionava o campeão brasileiro no campo do adversário e tinha o dobro da posse de bola. A sorte também estava do lado dos paulistas. Aos 11 minutos, Samuel recebeu na área, driblou Rogério Ceni, mas se jogou antes de sofrer falta do goleiro. Por conta da encenação, o árbitro não marcou pênalti.

Aos 27 minutos, o gol saiu graças a uma conjunção de fatores. Ademilson estava há quase dois minutos pedindo atendimento médico na linha de fundo, mas nenhum jogador do São Paulo quis colocar a bola para fora. Se a bola parasse, Luxemburgo colocaria Willian no lugar do machucado Jean. Mas como o lance continuou, o Flu estava sem volante. Não havia quem marcasse Paulo Henrique Ganso, que, como nos seus bons momentos, deu passe milimétrico para Luis Fabiano. O centroavante também reviveu as melhores fases. Ganhou da marcação na corrida, bateu mesmo desequilibrado, e tirou do alcance de Diego Cavalieri para fazer 1 a 0.

O segundo gol também teve a sorte a favor do São Paulo. Começou num cruzamento errado de Lucas Evangelista, que por pouco não surpreendeu Diego Cavalieri. Na sequência, a cobrança de escanteio ensaiada deu errado e o cruzamento de Reinaldo explodiu na marcação. A bola voltou para o lateral, que dominou, invadiu a área em diagonal, e bateu cruzado, com muita força. Novamente Diego Cavalieri tentou, mas passou longe de impedir o 2 a 0.

SEGUNDO TEMPO

Só não dava para confiar que a sorte duraria para sempre. Por causa disso o São Paulo voltou mais precavido para o segundo tempo. A marcação passou a começar apenas no meio-campo (e não mais no ataque), e os volantes subiam menos. O Flu, porém, parava antes de chegar à área paulista. Por conta desse cenário, o segundo tempo foi de mais garra do que futebol. As chances de gol foram raríssimas. Destaque para uma jogada individual de Ganso, que roubou a bola no meio, carregou pela esquerda, e chutou na rede, pelo lado de fora, e numa batida rasteira de Lucas Evangelista, em cima de Cavalieri.

Rogério Ceni só teve trabalho nas reposições (às quais errou várias) e numa cobrança de falta que ele mandou por cima do travessão. Até na única boa chance criada pelo Fluminense, o goleiro nem se sujou. Aos 46, Eduardo bateu com tamanha precisão, no ângulo, que Ceni nem se mexeu. Só olhou a bola entrar.

Depois de empatar com o Flamengo e vencer o Flu, o São Paulo segue com a sua sequência carioca e pega o Botafogo, domingo, no Maracanã. Para esse jogo, não terá Luis Fabiano, que levou amarelo por reclamação no primeiro tempo (sofreu falta na entrada da área e o juiz não deu) e está suspenso. Aloísio, que seria seu substituto, conseguiu ser advertido aos 44 minutos do segundo tempo e também terá que cumprir automática.

FICHA TÉCNICA

SÃO PAULO 2 X 1 FLUMINENSE

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Douglas, Rafael Tolói, Rodrigo Caio e Reinaldo; Wellington, Fabrício (Antônio Carlos), Paulo Henrique Ganso e Jadson (Aloísio); Ademilson (Lucas Evangelista) e Luis Fabiano. Técnico - Paulo Autuori.

FLUMINENSE - Diego Cavalieri; Gum, Anderson e Edinho; Igor Julião, Jean (Kenedy), Diguinho, Felipe (Eduardo), Wagner e Carlinhos; Samuel. Técnico - Vanderlei Luxemburgo.

GOL - Luis Fabiano, aos 27, e Reinaldo, aos 44 minutos do primeiro tempo. Eduardo, aos 46 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Jailson Macedo Freitas (BA).

CARTÕES AMARELOS - Wellington, Luis Fabiano, Aloísio, Diego Cavalieri, Gum, Anderson e Kenedy.

RENDA - R$ 658,280,00.

PÚBLICO - 55.256 pagantes.

LOCAL - Estádio do Morumbi, em São Paulo.

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