São Paulo busca a paz no deserto

O São Paulo não ?pipocou? contra o São Caetano na derrota por 2 a 0, anteontem, no Morumbi. A conclusão é da diretoria e da comissão técnica, que caíram na realidade e, depois de algumas horas de reflexão, constataram que o time, apesar de bom, não é tudo aquilo que muitos - e os próprios comandantes - imaginavam. Por isso, precisa de ajustes e pelo menos dois reforços para brigar por algum título na temporada, reconheceram.Abatido, o presidente Marcelo Portugal Gouvêa preferiu isentar os jogadores e o técnico Cuca de culpa pela eliminação no Campeonato Paulista, declarou não ter condições de fazer uma análise profunda por um jogo, mas não poupou palavras para falar das deficiências da equipe, que amanhã enfrenta o Cobreloa, em Calama, no Deserto de Atacama, pela Libertadores. A principal delas, em sua opinião, está no meio-de-campo. "O volante é nosso maior problema." Embora Alexandre, o chamado primeiro volante, não esteja brilhando, a crítica foi direcionada a Fábio Simplício, que, além de marcar, deveria ajudar na criação, o que não vem fazendo com eficiência.Está definido, assim, que a primeira contratação será para o meio. A idéia é levar um jogador para a disputa do Brasileiro e da segunda fase da Libertadores. Os problemas, no entanto, não acabam por aí. O ataque precisa de melhorias, por causa do afastamento de Diego Tardelli e da fraca produtividade de Grafite e do reserva Jean. "Passamos a ter necessidade de um atacante com o afastamento do Tardelli", comentou Gouvêa. E a lateral-esquerda preocupa. Fábio Santos não está bem e Gustavo Nery vai para a Alemanha em julho.A frustração estava estampada no rosto do dirigente, que, ontem, foi ao Aeroporto de Cumbica para se despedir do elenco, que seguiu rumo ao Chile pela manhã. Cuca também era o retrato do desânimo. E não sem motivo. Os são-paulinos acordaram de mais um sonho doce, agradável, para voltar a uma realidade um pouco diferente.Assim como ocorreu nos últimos dois anos, quando chegou a ser comparado com o supertime do Real Madrid, a equipe paulista mostrou limitação nos momentos em que se viu à frente de testes mais difíceis. Muita gente apostou que o atual São Paulo daria show depois das diversas contratações. A torcida estava iludida. Mas, dos novatos, poucos vêm agradando. O time continua dependendo demais de Rogério Ceni e Luís Fabiano. Quando não estão inspirados, como ocorreu anteontem, o São Paulo escorrega.Apesar de não ser um esquadrão, o grupo é competitivo e Cuca acredita que pode lutar pelo título da Libertadores, a prioridade para o ano. O confronto com o Cobreloa, na quente Calama, porta do deserto de Atacama, pode garantir vaga nas oitavas-de-final. Por isso, a maior preocupação do treinador é recuperar, a tempo, o moral do elenco. "Vamos ganhar", arrisca.É o que esperam Rogério e Luís Fabiano, que disseram não ter conseguido dormir por causa da decepção. "Faz três anos que chego às finais e não ganho. Não quero ficar marcado como derrotado", desabafou o atacante.

Agencia Estado,

23 de março de 2004 | 09h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.