São Paulo começa a contagem regressiva

Começou a contagem regressiva. Pela primeira vez o São Paulo não depende de nenhum outro resultado para garantir o título do Campeonato Paulista. A conta é simples: basta vencer a Portuguesa, quinta-feira, no Pacaembu. Até lá, os jogadores lutam para conter a euforia e não comemorar antes da hora, como pede o técnico Emerson Leão. Rogério Ceni parece o mais contido. Em todas as entrevistas o goleiro mede as palavras e não deixa escapar nenhuma gota de otimismo exacerbado. "Não vejo ansiedade em nenhum jogador. Só vejo a felicidade de sempre. E temos de seguir a nossa rotina. Afinal, ninguém é campeão sem as vitórias. O São Paulo sempre mostrou algo a mais em relação aos adversários e tem de continuar assim", diz Ceni.O controle emocional é só um dos segredos de Emerson Leão para que tudo saia perfeito. Quem não seguir a regra, pode até ser substituído, independentemente de sua importância para a equipe. Tudo está sendo controlado para que a Lusa não atrapalhe os planos. Mas Leão não esconde a vontade de enfrentar o Santos, domingo, já com o título assegurado, sem precisar correr riscos à toa. "Não podemos adiar esse título por muito tempo, não. Se tivesse vindo no sábado, seria melhor. Agora todos estão preparados para que isso possa acontecer na quinta-feira", repete, a todo momento.Os jogadores, porém, reconhecem que está sendo difícil "ignorar" a festança que a torcida já começou a fazer desde sábado, antes mesmo da vitória sobre o Santo André (3 a 1), no Morumbi. "A todo momento tem amigos me ligando e perguntando como está o clima entre nós, jogadores, perguntando como estamos administrando essa situação", conta o meia Marco Antônio. "Mas temos de continuar sendo profissionais, éticos, para primeiro encarar essa partida contra a Portuguesa para depois, quem sabe, comemorar com a torcida."O meia, aliás, é outra arma que Emerson Leão soube lapidar durante o campeonato. Passou de promessa a titular. Marco Antônio, porém, ainda é cauteloso ao falar do seu status dentro da equipe. "Não me acho titular, não. Entrei na equipe porque outros jogadores estavam machucados e acho que essa oportunidade foi importante para eu abrir mais o meu espaço com o Leão", afirma.Marco "torce" para que permaneça como titular na equipe que Emerson Leão começará a definir no coletivo desta terça-feira. O meio-de-campo ainda é uma incógnita, já que Danilo retorna de suspensão, Josué está recuperado de uma lesão na coxa e Mineiro chega da Seleção apenas na madrugada de quinta-feira - dia do jogo.A notícia que tumultuou o Centro de Treinamento, porém, veio da Baixada Santista. A confirmação de que o Santos tirou o clássico da Vila Belmiro e levou para Mogi Mirim não foi bem aceita. "Essa é uma atitude tola, pequena. Foi um erro de postura. O Santos acabou de jogar a toalha, quando nós, aqui do São Paulo, ainda nem comemoramos o título. Foi uma demonstração de fraqueza", garantiu o superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha. "Se levassem o jogo para o ABC, eu até entenderia porque eu sei que o Santos tem uma torcida grande no ABC. Eles menosprezaram o torcedor."O volante Renan aproveitou o momento para apimentar um pouquinho a rixa entre os clubes. "O Santos não quer que o São Paulo comemore o título lá na Vila Belmiro. Acho que estão com inveja. É uma total ignorância da parte deles", alfinetou, sem dó.

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