São Paulo dá adeus ao Paulistão com derrota nos pênaltis no Morumbi

Depois de empate sem gols nos 90 minutos, time perde para o Penapolense e é eliminado

Fernando Faro, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2014 | 00h21

SÃO PAULO - Era para ser uma classificação tranquila para o São Paulo, mas o time conseguiu fazer uma partida tão ruim que acabou eliminado nos pênaltis pelo Penapolense em pleno Morumbi após empate sem gols no tempo normal. O resultado devolve o Tricolor aos braços da crise e leva a equipe do interior a uma classificação histórica.

A possibilidade de definir a vaga em um único jogo abria a possibilidade de a equipe de Penápolis se resguardar no campo de defesa e esperar uma brecha para o contra-ataque, uma receita tão velha quanto o futebol. Não era para esperar algo diferente, e desde o começo os visitantes mostraram que a ideia era primeiro não sofrer gols para então tentar resolver em algum lance isolado.

Surpreendeu, no entanto, a forma como o São Paulo aceitou a marcação do adversário passivamente na primeira etapa e se deixou ser amarrado pelas fortes linhas defensivas armadas por Narciso. Ganso, sopro de criatividade em uma equipe que muitas vezes se perde no meio da correria, sempre teve a companhia de um dos volantes e pouco apareceu. Sem seu cérebro, o time se viu limitado às investidas de Osvaldo pela esquerda.

Chamou atenção também o nervosismo da equipe, apesar de ter jogadores acostumados a decisões. Não foram poucas as vezes que erros de passe ou marcações da arbitragem gerassem críticas mais incisivas do que de costume. Deste caldo emergiu um São Paulo tenso, inoperante e que transformou o primeiro tempo em um festival de passes errados.

É difícil entender como um time que terminou a fase de classificação tão bem conseguiu se apresentar de maneira tão sofrível diante de um adversário que vinha de cinco derrotas e um empate e não sabe o que é vencer desde 19 de fevereiro. Culpar o cansaço não dá, já que os titulares ficaram dez dias sem jogar. Falta de treino, talvez? A julgar pelo discurso de Muricy, o que o São Paulo mais fez foi trabalhar, embora poucas atividades táticas tenham sido vistas pela imprensa (talvez tenham acontecido nos momentos de treino fechado).

A inoperância foi aos poucos convidando o Penapolense para o baile, e gradualmente o time começou a acreditar que não era preciso se contentar apenas com o empate. A partir daí o que se viu foi a equipe do interior mandando no Morumbi, exatamente como esperava-se que os donos de fato da casa fizessem.

O clima, que já não era bom quando o São Paulo tinha a posse de bola, ficou ainda pior e a ansiedade contagiou a torcida, que não escondia o medo de um vexame em casa. Os lances de perigo de Penapolense eram frequentes, a marcação do Tricolor desapareceu e o time se transformou em um catado sem pé nem cabeça. Para piorar, Muricy montou um banco sem opções criativas - só Lucas Evangelista foi relacionado.

Se tivesse ousado mais, o Penapolense poderia ter resolvido já com a bola rolando, mas preferiu apostar nos pênaltis.

Na hora das cobranças, Rodrigo Caio errou a terceira cobrança e o Penapolense, com aproveitamento irretocável, conseguiu a vaga. Fez história a equipe de Penápolis, deu vexame o favorito São Paulo.

FICHA TÉCNICA:

SÃO PAULO 0 (4) x (5) 0 PENAPOLENSE

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antonio Carlos e Alvaro Pereira; Wellington, Maicon e Paulo Henrique Ganso; Pabon (Ademilson), Osvaldo e Luis Fabiano. Técnico: Muricy Ramalho.

PENAPOLENSE - Samuel; Rodnei, Jailton, Gualberto e Rodrigo Biro; Liel, Washington, Petros e Guaru; Douglas e Alexandro (Neto). Técnico: Narciso.

CARTÕES AMARELOS - Wellington, Alexandro, Petrus, Gualberto, Luis Fabiano, Rodrigo Biro, Maicon, Rodnei.

ÁRBITRO - Alessandro Darcie.

RENDA - R$ 408.425,00.

PÚBLICO - 16.955 pagantes.

LOCAL - Estádio do Morumbi, em São Paulo.

 

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