José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

São Paulo inicia investigação de gravação de Ataíde

Até a próxima semana, Comissão de Ética analisa áudio polêmico

CIRO CAMPOS, Estadão Conteúdo

28 de outubro de 2015 | 12h53

A Comissão de Ética do São Paulo deve se reunir na próxima semana para ouvir a gravação feita pelo vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, em que o ex-presidente Carlos Miguel Aidar admite ter desviado dinheiro e cometido irregularidades durante a sua gestão. O áudio está com o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Marcelo Pupo, e será entregue à comissão na tarde desta quarta-feira.

A investigação do conteúdo da gravação ficará a cargo dos cinco membros da Comissão de Ética do São Paulo. O presidente do órgão, Wilton Parreira Filho, disse que não pretende no primeiro momento divulgar o material para os demais integrantes do Conselho Deliberativo, formado por 240 membros. "Eu não faço nada com pressa, porque tudo o que a gente come com pressa, acaba passando mal. Vamos pegar a gravação primeiro, ouvir, marcar uma data para ouvir com os membros do conselho juntos e decidir o que vamos fazer", explicou.

O áudio foi gravado no começo do mês em uma conversa entre Aidar e Ataíde no Morumbi. A denúncia da existência desse material motivou o rompimento entre os dois e iniciou a crise política que culminou na saída do ex-presidente. "Eu lutarei até o fim. Não existe comigo acabar em pizza. Se fosse para isso, não faria o que fiz até agora. Fiz um papel incomum no que faço normalmente. Quero levar até o fim", disse Ataíde, que com a chegada de Leco à presidência, retornou ao cargo de vice de futebol.

Na última terça-feira o clube escolheu seu novo presidente, Leco, que ficará no cargo até abril de 2017. O dirigente era presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo e chegou a ouvir o áudio. Perguntado semanas atrás sobre o conteúdo, disse que era grave.

Dentro do clube, membros da oposição cobram para que o áudio seja apreciado no conselho. O grupo considera que essa medida deixaria o processo mais transparente e impediria possíveis investigações brandas. Apesar disso, Parreira Filho descartou mudar o procedimento e rejeita a ideia de divulgar a gravação. "O material vai ficar guardado comigo até eu reunir os membros da comissão", afirmou.

A Comissão de Ética também investiga a briga entre Aidar e Ataíde ocorrida em um hotel durante reunião da diretoria dias após a gravação. Membros da oposição assinaram um ofício para pedir que o episódio seja investigado, em procedimento que pode acabar com a expulsão da dupla do quadro de associados do São Paulo. Ambos já foram notificados para apresentarem as defesas, mas ainda não enviaram as representações.

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