Daniel Teixeira/Estadão e Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Daniel Teixeira/Estadão e Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

São Paulo e Corinthians trocam de papéis dez anos depois

Antes soberano, time tricolor recebe o líder disparado do Campeonato Brasileiro, lutando para evitar seu primeiro rebaixamento no torneio

Daniel Batista e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2017 | 17h02

No dia 7 de outubro de 2007, São Paulo e Corinthians se enfrentaram no Morumbi, com o time comandado por Muricy Ramalho firme na luta pelo título. O de Nelsinho Baptista vivia seu calvário na luta para evitar o primeiro (e único) rebaixamento de sua história. Neste domingo, quase dez anos depois, a situação é inversa. Os são-paulinos precisam vencer para começar a respirar e os corintianos querem dar mais um passo rumo à conquista do Brasileiro.

Vários são os motivos que explicam a troca de papéis no cenário brasileiro entre os dois rivais. Muito dos erros que o Corinthians cometeu no passado se observa agora do lado tricolor. Neste período, os dois clubes tiveram apenas três presidentes cada, mas com mandatos bem distintos. 

No Corinthians, Andrés Sanchez reconstruiu o devastado clube e foi um dos responsáveis, junto com Mário Gobbi Filho, a tirá-lo da Série B e chegar ao título Mundial e da Libertadores. Roberto de Andrade, atual presidente, já tem um título do Paulista e caminha para a conquista do Brasileiro. 

No São Paulo, Juvenal Juvêncio assumiu o clube recém campeão mundial, em 2005, e conquistou mais dois brasileiros. Na sua primeira reeleição (foram duas), as coisas já começaram a mudar, até ele deixar o clube para seu sucessor, Carlos Miguel Aidar. O dirigente acabou sendo um fiasco e teve que renunciar após denúncias de corrupção. Leco assumiu e também tem colecionado mais resultados ruins do que alegria.

“O Corinthians começou a cair em 2004, quando vendeu o time todo. Em 2005, chegou a MSI, mudou tudo, foi embora e tiveram de reconstruir outra vez até que em 2007 não deu para aguentar”, explicou o zagueiro Betão, que fez parte do time rebaixado.

O defensor, que atualmente está no Avaí, foi autor do gol que garantiu a vitória corintiana sobre o São Paulo em 2007, após jejum de quatro anos sem um resultado positivo sobre o rival. “Achei que aquele jogo daria uma motivação maior para o elenco”, contou, iludido.

ANTIGO SOBERANO

Se o Corinthians renasceu após a queda, o São Paulo tenta se reerguer sem precisar cair. Foram apenas três títulos expressivos nos últimos dez anos: dois Nacionais (2007 e 2008) e uma Copa Sul-Americana (2012). O time vive seu maior jejum de títulos expressivos desde 1970, quando deu fim a 12 temporadas sem grandes conquistas ao faturar o Estadual.

Em campo, o São Paulo passou a trocar de técnicos com frequência. Após a primeira “Era Muricy”, de 2006 a 2009, o time teve mais 13 comandantes, além do próprio Muricy, e nada adiantou. 

Para o ex-atacante Aloísio Chulapa, que estava no time que conquistou o Brasileiro de 2007, um dos problemas que explicam a péssima temporada tricolor é o planejamento do grupo. “Muita gente saiu e muita gente chegou durante a temporada. Não teve um grupo para dizer ‘esse é o grupo’.”

O ex-jogador lembra que em 2007 tudo era diferente. “A gente vivia um momento de título atrás de título e vitória atrás de vitória e hoje o momento é o inverso. Esse clássico agora é o momento certo para passar confiança para nosso torcedor. Não tem momento melhor para isso”, destacou.

O atacante Dagoberto, que jogou no São Paulo entre 2007 e 2011 e atualmente defende o San Francisco Deltas, dos Estados Unidos, se mostra otimista em relação ao desfecho do São Paulo neste Brasileirão. “O Corinthians, naquele momento (em 2007, quando foi rebaixado), estava com um time todo bagunçado. O São Paulo tem uma boa estrutura, um time que conhece bem seu espaço e que sabe quando precisa mudar. Tem muita coisa pela frente e cada rodada é importante.”

 

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