Werther Santana/Estadão
São Paulo vive crise generalizada: em campo, um time que não se encontra; nos bastidores, uma diretoria questionada Werther Santana/Estadão

São Paulo encara seus fantasmas em temporada dramática

Clube vive crise generalizada: em campo, um time que não se encontra; nos bastidores, uma diretoria questionada

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2017 | 07h00

O São Paulo já não está mais em estado de alerta. Agora, o sinal é vermelho. O risco do primeiro rebaixamento da história do clube no Campeonato Brasileiro é cada vez mais real, e o clima no Morumbi é de tensão e preocupação. Vice-lanterna com 24 pontos, o time completou 11 rodadas na zona da degola – um recorde indigesto na trajetória do clube.

Dentro de campo, a equipe enfrenta dificuldades para se entrosar e sofre com fortes oscilações durante as partidas. Nos bastidores, uma crise que publicamente é negada, mas que preocupa e divide a cúpula do clube, que se sustenta no apoio da torcida para não deixar as coisas ficarem pior.

A permanência de Dorival Junior no São Paulo é uma incógnita. Há 11 jogos no comando, ele tem no Brasileirão um aproveitamento ligeiramente melhor do que seu antecessor, Rogério Ceni (39,4% a 33,3%), que também dirigiu o time em 11 oportunidades no Nacional. Nesta altura do campeonato, o que o São Paulo precisa é de resultado positivo. Por isso, uma derrota em Salvador, hoje, contra o Vitória, pode fazer a pressão sobre Dorival terminar na segunda troca de técnico do São Paulo no ano.

Desde outubro de 2015 na presidência do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ainda não conseguiu emplacar um treinador que obtivesse pelo menos 50% de aproveitamento. O roteiro com cada um deles tende a se repetir: treinadores reclamam das saídas de jogadores importantes do elenco e sentem dificuldade para “engrenar” e estabilizar o time.

Sem criticar a diretoria tricolor, Dorival paga em campo o peso das escolhas dos dirigentes. Após quase dois meses comandando o tricolor, o técnico reclama da dificuldade de entrosamento dos atletas – resultado das transferências feitas pela diretoria enquanto a equipe tentava se acertar no Brasileiro. Nos bastidores, conselheiros sugerem a demissão de Dorival.

Para os críticos à atual diretoria, o presidente vive em um universo paralelo que ganhou até apelido nos corredores do Morumbi, a “Lecolândia”. Nela, resolver os problemas do clube é mais simples do que a realidade faz parecer. Um exemplo recente é a reaproximação do São Paulo com o ex-técnico Muricy Ramalho, que atuaria como um “consultor informal” do time. 

A ideia, vista como positiva para a equipe, é encarada com certo deslumbre por parte da diretoria, que estaria desconsiderando questões como os conflitos éticos que o ex-treinador poderia encarar por ser comentarista esportivo e ao mesmo tempo estar vinculado, mesmo que informalmente, a um clube em disputa de competição. Outro exemplo é a abertura do CT da Barra Funda a torcedores, vista internamente por alguns como atitude de caráter populista. 

A avaliação é de que o São Paulo está mais exposto do que deveria e, por isso, ceder às pressões e aos pedidos da torcida seria apenas uma forma de o clube se esquivar de outros problemas que o afligem e que não estão apenas relacionados ao que se passa dentro das quatro linhas. Um deles, por exemplo, é a investigação em andamento sobre a interferência de um ex-gerente na venda de ingressos para shows que serão realizados no estádio do Morumbi, que fez crescer a crise interna do São Paulo neste ano.

A quase três meses do fim da temporada, só a conquista de resultados pode reverter a narrativa dramática até aqui.

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Em Salvador, São Paulo enfrentará dois traumas de uma vez

Contra o Vitória, time enfrentará péssimo retrospecto fora de casa e sequência sem superar rivais diretos

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2017 | 07h00

O São Paulo coloca em xeque sua tradição em uma semana de desafios para se recuperar no Brasileiro contra o Vitória, neste domingo, no Barradão. Torcedores organizados e sócios-torcedores conversaram no CT da Barra Funda durante a semana com jogadores e comissão técnica. Aumentaram a cobrança e a pressão. Dorival Junior disse que o encontro foi positivo.

Para respirar fora do Z-4, o caminho do tricolor passa por superar em Salvador algumas situações adversas. Uma delas é conseguir roubar pontos de rivais diretos na parte debaixo da tabela. O time emperrou diante de Coritiba e Bahia, por exemplo. E Avaí e Ponte mais recentemente, com dois empates.

Outro “trauma” que o São Paulo enfrenta hoje é o retrospecto ruim na condição de visitante. Neste Brasileiro, em 23 rodadas, o time venceu apenas uma vez fora do Morumbi: bateu o Botafogo por 4 a 3, em jogo que ficou marcado positivamente dado o poder de reação da equipe. Novo tropeço mantém o São Paulo em penúltimo lugar.

Como reconheceu Dorival, as contas para que o vice-lanterna fuja do rebaixamento preocupam. “Nossa margem de erro é menor a cada rodada”, atesta o treinador. O risco de queda é de 54%, de acordo com o matemático Tristão Garcia. Faltam 15 jogos para o fim do torneio. O São Paulo tem oito duelos em casa.

Em Salvador, a estratégia do técnico é ir para cima e levar para o estádio do Vitória um time mais ofensivo e também efetivo. Na semana, ele intensificou trabalhos de finalização, infiltração e triangulação. Cobrou criatividade e coragem. Dorival quer mais intensidade e vem incentivando ousadia em campo.

Cueva pode voltar ao meio de campo. Reserva contra a Ponte Preta, o peruano tenta recuperar seu espaço, perdido para o jovem Lucas Fernandes. Dorival quer Cueva de volta, mais ligado e comandando o time. Nos treinos, usou o jogador entre os titulares e buscou formas de encaixá-lo no setor ofensivo.

Mas é em Hernanes que o treinador, e boa parte da torcida, aposta suas fichas. O capitão do São Paulo tem feito a diferença desde que retornou ao Brasil. Em apenas sete jogos, já ultrapassou os atacantes da equipe e se tornou o artilheiro tricolor no Brasileiro, com sete gols. Lucas Pratto tem cinco gols, mas não marca há sete partidas, e também vive seu jejum.

Correndo contra o tempo, o São Paulo tem poucas chances de sair da zona da degola nesta rodada, já que depende da combinação de outros resultados. À frente do tricolor (24), estão a Chapecoense, com 25 pontos; Vitória, com 26; e, colados na primeira posição do Z-4, Coritiba e Bahia, ambos com 27.

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