Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

São Paulo espera 'público família' para jogo com o Grêmio na manhã deste sábado

Partida às 11h será a primeira em São Paulo no Campeonato Brasileiro neste horário

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 16h01

O São Paulo espera um público formado principalmente por famílias de torcedores para a partida deste sábado, às 11h, no Morumbi, diante do Grêmio. É a estreia dos grandes de São Paulo jogando em casa neste horário, que está sendo testado pela CBF na edição do Campeonato Brasileiro. O jogo deste sábado reforça a tendência de ampliação dos horários para realização dos jogos, atendendo principalmente aos interesses das emissoras de tevê, que são detentoras dos direitos de transmissão dos campeonatos.

São Paulo vendeu até a manhã desta sexta-feira 39 mil ingressos. Os sócios-torcedores do clube puderam adquirir as entradas desde o último domingo. Na terça-feira, começou a venda para o público em geral. O valor dos ingressos varia de R$ 60 a R$ 280. Os sócios têm direito de comprar entradas por R$ 10 na arquibancada Norte Amarela.

A expectativa da diretoria é receber torcedores com perfil semelhante aos dos jogos de domingo pela manhã. Um ano atrás, o São Paulo venceu o Ceará por 1 a 0 diante de 57 mil torcedores. Naquela ocasião, as arquibancadas tiveram grande presença de mães e crianças. Um fator limitante para 2019 é o fato de sábado ser um dia útil. Muitas empresas costumam funcionar até meio-dia, em regime de meio-expediente. Além disso, o sábado é um dia tradicional para o comércio de rua na cidade, de acordo com o Sindicato dos Lojistas de São Paulo. 

A torcedora Natalia Milreu vai transformar a partida em um programa romântico. Ela vai acompanhada do namorado, Rodrigo Alcântara. "Acho um bom horário, dá pra ir com a família, sempre tem muitas crianças nesse horário. E é bom porque você sai cedo do jogo e ainda tem o resto do dia pra aproveitar", opina a são-paulina. "É um horário que, dependendo de onde você mora, não precisa acordar tão cedo pra ir ao estádio e depois dá para aproveitar todo o restante do dia", concorda o torcedor Rafael Peciauskas.

Para o camarote, as vendas estão esgotadas. "O perfil de compra foi, na grande maioria, de famílias de torcedores", diz Leonardo Rizzo, proprietário de uma empresa que possui camarotes em três estádios paulistas, entre eles, o do Morumbi, com capacidade para 100 torcedores.

O horário, obviamente, não é uma unanimidade. O advogado Waldemar Cemin não gosta. "Você tem que madrugar para sair de casa. Compromete todo dia. Futebol pra mim é domingo às 16 hs. Sou tradicionalista. Esse horário só agrada à televisão", critica o torcedor.

O jogo do São Paulo terá transmissão apenas pelos pacotes de pay-per-view, o que sinaliza o alinhamento dos horários dos jogos às necessidades do planejamento das grades das emissoras de tevê. No próximo sábado, o Corinthians vai enfrentar o Ceará, às 11h. A Série A do Brasileirão tem jogos sábado à noite (21h), domingo de manhã (11h), à tarde (16h), horário tradicional, e à noite (19h) e até segunda-feira à noite (20h).

Já a Série B tem dias e horários ainda mais flexíveis, tracionalmente às terças-feiras e sábados e, a partir desta temporada, às quintas-feiras. Os principais campeonatos europeus também têm horários alternativos. No sábado, o Manchester United vai visitar o Southampton às 8h30 (horário de Brasília).

O professor Marcelo Paciello, pesquisador sobre o comportamento do consumidor esportivo, faz um alerta. Em sua visão, os clubes menores têm médias de público baixas nos jogos realizados pela manhã. "Vejo uma tentativa da CBF de buscar formas de aumentar a presença de público nos estádios, mas não com base em dados concretos ou na opinião do torcedor, que deveria ser levada em conta. Os maiores públicos no horário das 11h são nos jogos dos times grandes. A torcida dos times médios não têm o mesmo comportamento", afirma.

 

Paciello se apoia nos números dos jogos aos sábados às 19h para tecer sua argumentação. Quando times médios recebem os 12 grandes do País, a média de público é de 19,5 mil. Nos jogos em que os grandes recebem os médios, a média cai para 7,9 mil. Já os clássicos interestaduais entre os 12 grandes têm média de 24,8 mil e os clássicos estaduais recebem 41,5 mil pagantes. "O principal motivo para aumentar a média de público aos sábados 19h são os clássicos das cidades seguido dos clássicos interestaduais", explica. 

Em relação aos jogos realizados no sábado de manhã, ele avalia que foram realizados apenas dois até momento, com média de 18,8 mil pagantes.  "Ainda a base é muito baixa para se avaliar com clareza", afirma. 

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