São Paulo está focado na Libertadores

Em tempos bicudos como esses que vive o futebol brasileiro, a Libertadores aparece como um oásis, com suas cotas polpudas e públicos surpreendentes quando comparados ao Campeonato Brasileiro. Uma válvula de escape quando se lembra que a diretoria do São Paulo diz que precisa vender um jogador por ano para conseguir manter o vermelho apenas na camisa do time e não no balancete.Por um erro de cálculo, o São Paulo pode ficar longe desse dinheiro todo. Para manter o elenco em uma faixa salarial que considera aceitável, a diretoria não gastou o dinheiro arrecadado com as vendas de Kaká e Luís Fabiano para contratar substitutos à altura. "Eu gosto do Vélber. Como torcedor, gostaria que ele tivesse a chance de jogar duas partidas seguidas, sem cobrança, mas como presidente não me intrometo no trabalho de nosso treinador, que é muito bom", diz o presidente Marcelo Portugal Gouvêa.Ele se refere ao meia, que marcou 14 gols pelo Paysandu no Brasileiro do ano passado e que não consegue se firmar no São Paulo. Chegou como titular, mas a timidez o tirou do time. Desde o início do ano, participou de 35 partidas e fez três gols.No segundo semestre, já eliminado na Libertadores e lutando ainda pelos primeiros lugares no Brasileiro, a diretoria trouxe Nildo, do Sport, para ser o que Vélber não foi. Chegou com personalidade, fez dois gols em quatro jogos, mas a própria duração de seu contrato - até o final do ano - mostra que não existe confiança total em seu futebol. É dúvida, como duvidosa é a classificação para a Libertadores. "Sobre a parte técnica, sobre a montagem do time, não dou opinião. Só posso dizer que a Libertadores, economicamente, é muito importante para nós", diz o diretor de planejamento João Paulo de Jesus Lopes.Prejuízo? - O time quis economizar um pouco e, por isso, vai perder muito dinheiro? Marcelo Portugal Gouvêa discorda, enfaticamente. "Houve apenas dois negócios que perdemos por causa de dinheiro. O Vágner, que seria nosso volante, havia acertado tudo e pediu US$ 100 mil mensais. Não aceitei. E houve o caso do Rivaldo. Foram conversas iniciais, mas não dava para ficar com o jogador."Ele discorda também das críticas que comparam Rondón a Luís Fabiano. "Uma coisa não tem a ver com a outra. O Rondón não veio para substituir o Luís Fabiano. A gente tinha certeza que o Luís não iria embora, mas no final, ele pediu para sair. O Porto fez a proposta e ficamos sem o jogador quando faltavam quatro dias para se encerrarem as inscrições. Não deu para contratar outro. O que eu poderia fazer?"E ele defende Rondón, usando o mesmo argumento de duas partidas seguidas como teste. Defende também o trabalho feito esse ano. "Trouxemos 14 jogadores. Que time fez isso?" Gouvêa não joga a toalha. Acha possível a classificação para a Libertadores. A vitória de sábado o animou ainda mais. "Os times estão embolados. Se ganharmos todas no Morumbi, temos grandes chances de ficar com a vaga. E vamos reforçar o time para a Libertadores. Teremos um time forte."

Agencia Estado,

04 de outubro de 2004 | 10h01

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