São Paulo está fora da Copa das Confederações

Para secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, Itaquerão não estará pronto e Morumbi está descartado

Jamil Chade/CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

10 de maio de 2011 | 21h33

ZURIQUE - A cidade de São Paulo será excluída da Copa das Confederações de 2013. A declaração é do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, que garantiu ontem que não há chances de usar o Morumbi para o torneio e admite que o estádio em Itaquera não estará pronto para o evento um ano antes da Copa do Mundo no Brasil.

 

No caso do Rio, a Fifa foi obrigada a rever os prazos para a entrega do Maracanã. Mas admite que terá de "cruzar os dedos" e torcer para que a cidade também não acabe fora do torneio.

 

A Fifa considera a Copa das Confederações como ensaio geral do país para receber a Copa do Mundo e, num cenário ideal, um dos objetivos de sediar o evento seria o de testar o estádio de abertura e o da final do Mundial. Mas, no caso do Brasil, isso não será possível.

 

Segundo Valcke, o estádio em Itaquera não deve estar pronto para 2013. Mas rejeita a ideia de usar o Morumbi como substituto, como foi sugerido. "Não há chances", garantiu.

 

Valcke deixa claro que o cenário com o qual a Fifa já trabalha concretamente é o de não usar São Paulo para o torneio. "Precisamos de quatro sedes para a Copa das Confederações. Não é tão trágico se não ocorrer em São Paulo", declarou. Valcke, porém, admite não saber ainda quais seriam as quatro sedes.

 

Segundo ele, no entanto, a situação do Rio também é uma dor de cabeça. "Queremos estádios prontos até o final de 2012 para que possam ser usados na Copa das Confederações em meados de 2013. Mas, no caso do Maracanã, nos pediram para flexibilizar as datas e concordamos em esperar até março de 2013 para que o estádio esteja pronto. Então, o que ocorrerá é que cruzaremos os dedos e teremos de torcer para dar tudo certo", declarou.

 

Aeroporto. O debate sobre as obras nos estádios brasileiros tem sido alvo de permanentes polêmicas. No entanto, Valcke admite que os obstáculos não param por aí. O secretário-geral da Fifa aponta para a situação dos aeroportos como "verdadeiro problema". Sua esperança é de que as obras prometidas pelo governo comecem logo. "Vai dar tudo certo", disse, lembrando com certa ironia que os brasileiros sempre dizem que "amanhã" terão a solução para um problema.

 

Há pouco mais de um mês, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, chegou a alertar que o Brasil estava mais atrasado do que a África do Sul esteve três anos antes do Mundial.

 

Mudanças nas regras. A infraestrutura no Brasil não é o único desafio da entidade. Ontem, a Fifa começou a estudar revisão das regras para transformar a Copa em evento mais atraente, depois de registrar o pior saldo de gols da história em 2010 e ver a proliferação de jogos terminando empatados por 0 a 0.

 

Pressionada por patrocinadores, a entidade deu início a uma série de reformas. Entre as propostas aprovadas por um grupo que conta com Pelé, Cafu e Beckenbauer, a Fifa sugeriu a possibilidade de que equipes façam mais uma substituição quando a partida for para a prorrogação.

 

Nos torneios juvenis, a prorrogação em si seria suprimida, como teste para os profissionais.

Outra medida é a de rever a regra do impedimento, para relevar situações em que jogadores que não participam da jogada acabem deixando o ataque fora de jogo.

 

A reforma também atingiria a arbitragem. A Fifa estuda a possibilidade de adotar tecnologia nas bolas para determinar se ela cruzou a linha de gol e ainda profissionalizar todos os árbitros que atuarem na Copa de 2014.

 

Outro ponto proposto é o de acabar com a expulsão de jogadores que cometam pênaltis. "Vamos mudar o futebol para melhor", declarou Cafu.

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