São Paulo faz seu protesto na CBF

Firme em sua proposta de reformulação do futebol brasileiro e contrário à reeleição do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, o presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, fez questão de provar que votou em branco na eleição de hoje e disse não temer represálias. Para o dirigente, sua posição vai ao encontro da grandeza e tradição do Tricolor. "O Ricardo foi reeleito por mais quatro anos e vai ficar um total de 19 anos no poder. A alternância de poder é extremamente salutar", disse Gouvêa, contrariado, exibindo as duas cédulas de votação não depositadas na urna. "O São Paulo não teme ter ficado sozinho nesta oposição. Os clubes são os que fazem a emoção do futebol e devem ser ouvidos. Têm de ser ouvidos." Para Gouvêa, tanto Teixeira quanto o seu adversário na eleição, o presidente da Federação de Futebol de Pernambuco, Carlos Alberto Oliveira, não reúnem condições de atender aos anseios do São Paulo para organizar o futebol brasileiro. O dirigente não escondeu sua mágoa por causa da recente proibição imposta pela CBF, que vetou a participação do Tricolor na Copa da Paz, na Coréia do Sul, onde poderia arrecadar até US$ 2 milhões. "Quem leva o público para os estádios são os clubes e não a CBF. Por isso, é preciso reconsiderar o modelo de gestão da entidade", afirmou Gouvêa. "O São Paulo paga todas as suas taxas e cumpre seu papel. Já a CBF nos deve dinheiro, convoca sem critérios nossos jogadores para a seleção e ainda nos impede de participar de competições internacionais." Durante todo o tempo em que esteve na CBF, o presidente do São Paulo fez questão de manter-se afastado dos demais dirigentes, limitando-se a conversar com o seu diretor de Futebol, Juvenal Juvêncio. Ao final da eleição, ainda muito irritado, recusou o convite para almoçar em uma churrascaria da Barra da Tijuca com a chapa vencedora. "A CBF derrubou o calendário quadrienal, esmagou os campeonatos estaduais e acabou com os campeonatos regionais", lembrou o presidente do São Paulo, reforçando sua posição de protesto. Ele deixou o prédio da CBF no início da tarde seguindo para o Aeroporto Santos Dumont de onde viajaria a Curitiba a fim de assistir ao jogo Coritiba x São Paulo.

Agencia Estado,

09 de julho de 2003 | 18h58

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