São Paulo faz tudo para manter respeito

O maior cuidado do São Paulo para o jogo decisivo da Copa Libertadores, nesta quinta-feira, no Morumbi, é não dar combustível para o adversário. A ordem entre jogadores, comissão técnica e dirigentes é evitar declarações polêmicas que possam servir de incentivo extra para o Atlético Paranaense. A diretoria garante que não armou nenhuma festa para o elenco e ordenou vigilância ainda maior sobre os jogadores no dia-dia do clube. "O Atlético é uma grande equipe e teve méritos para chegar até aqui", e "não somos favoritos, quem diz isso é a torcida e a imprensa", são as frases mais ouvidas nas entrevistas.Até a premiação para uma possível conquista é mantida sob sigilo. Estima-se que o grupo dividirá entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão se vencer a competição continental - quantia que será reforçada com a arrecadação recorde prevista para o confronto: cerca de R$ 2 milhões.O temor dos dirigentes é que o experiente técnico Antônio Lopes utilize esse tipo de informação para acirrar o ânimo de seus comandados, como já declarou em algumas entrevistas nos últimos dias. Mas o treinador Paulo Autuori é taxativo: o clima no São Paulo é de muito respeito ao adversário. "Aqui não tem nada disso de já ganhou", afirmou Autuori. "Estão tentando plantar notícias, inventando informações", disse.Precaução - Um dos símbolos do que não se deve fazer numa decisão de Libertadores ocorreu no ano passado, quando o time posou para as fotografias ao lado de uma bandeira do Japão, no primeiro jogo da semifinal contra o Once Caldas, no Morumbi, em alusão à virtual conquista do título e da chance de ir disputar o Mundial de Clubes, em Tóquio. A equipe ficou no 0 a 0 e foi eliminada no segundo duelo, na Colômbia, com derrota por 2 a 1. Por isso, o emblema nipônico está proibido no Morumbi este ano."Aquela foi uma idéia realmente infeliz, mas o presidente Marcelo (Portugal Gouvêa) não estava sabendo, ficou muito aborrecido quando percebeu e o responsável por aquilo nem faz mais parte da diretoria", diz o precavido João Paulo de Jesus Lopes, diretor de Planejamento e Desenvolvimento. "O adversário merece sempre respeito."O Japão também é assunto proibido entre os jogadores. Ninguém pensa sequer em projetar a possibilidade de disputar o Mundial da Fifa, em dezembro. "Não sei nada sobre esse campeonato, nem como vai ser", diz o lateral Júnior. "Só o campeão da Libertadores vai chegar lá, e nós não ganhamos nada ainda."

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