São Paulo frustra Raí na despedida

Talvez não seja exatamente a despedida com a qual sonhava Raí. Se o carinho da diretoria e da torcida do Paris Saint-Germain possibilitou a realização daquela que vai ser a última partida de sua carreira, o mesmo não se pode dizer do clube que o projetou nacional o internacionalmente. Vítima do descaso dos dirigentes do São Paulo, que não demonstraram muita disposição em festejar o maior nome da recente história do clube, o jogador entra no campo, neste sábado em Paris, com uma pontinha de frustração.Mas isso não vai quebrar o encanto do momento. Raí de Souza Vieira de Oliveira, aos 36 anos, estará cercado de amigos, caso dos atletas Mauro Silva e Taffarel e dos ex-jogadores Zico e Júnior, e familiares, como o irmão Sócrates, no Parque dos Príncipes, reduto da equipe parisiense defendida por ele durante os cinco anos em que esteve na "Cidade-Luz".A festa vai acontecer 16 meses depois de Raí ter anunciado que abandonaria os gramados. Seu último jogo oficial foi no dia 22 de julho do ano passado, depois de uma derrota para o Cruzeiro, durante a disputa da Copa do Brasil, quando defendia o São Paulo. Aliás, o craque ainda hoje lamenta o resultado. "O ideal seria vencer tudo", afirmou.Para colocar um ponto final em grande estilo numa carreira de 20 anos como jogador, foi programado um autêntico espetáculo. Ao jogo será somada também a exibição de um vídeo com as melhores jogadas do homenageado, queima de fogos de artifício e uma série de discursos. Enfim, todos os ingredientes que compõem uma "festa de arromba".Respeito - O maior patrimônio de Raí no futebol não são os gols, títulos ou fãs que conquistou ao longo da carreira. E, sim, o reconhecimento profissional. O meia é uma espécie rara de atleta que, mesmo sem ter defendido muitos clubes, obteve o respeito de todos os torcedores e dirigentes, independentemente das cores do uniforme.Contudo, chegar nesse estágio não foi fácil. Por várias vezes na sua carreira de jogador profissional ele teve de provar para si e para os outros que era uma pessoa apta a suportar pressões. Do início no Botafogo-SP, em 1982, na passagem pela Ponte Preta, São Paulo e PSG, até sua última partida, Raí, como a maioria dos atletas, teve muitos oscilações.Mas uma coisa chama a atenção em sua trajetória: o fato de sempre começar mal em um novo clube. Quando chegou no São Paulo, no dia 15 de setembro de 1987, Raí sofreu logo com as comparações com o irmão mais famoso, Sócrates. Foram necessárias duas temporadas para que ele se firmasse e passasse a exibir seu talento. Em 1993 veio a oferta do Paris Saint-Germain.Na França ocorreu a mesma coisa. Na primeira temporada, a de adaptação, Raí não foi nem sombra do meia que havia liderado o São Paulo na conquista de seu primeiro título do Mundial Interclubes. Mas, aos poucos, ele reencontrou seu ritmo e conquistou a admiração dos franceses, que o levou a seleção brasileira e à Copa do Mundo de 1994, quando fez parte do grupo tetracampeão.Seu retorno para o Morumbi foi triunfal. Raí chegou na véspera da partida final do Campeonato Paulista, contra o Corinthians, e marcou um gol de cabeça na vitória por 3 a 1. Dois anos depois, voltou a liderar a equipe na conquista de mais um título estadual. Ao mesmo tempo, aliou-se ao seu companheiro e também jogador, Leonardo, com quem dirige a Fundação Gol de Letra, entidade criada para dar assistência a crianças.

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