Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

São Paulo 'herda' do inimigo hábito de demitir treinadores

Enquanto o Alvinegro aprendeu a manter treinadores mesmo em maus momentos, o Tricolor perdeu o rumo

FERNANDO FARO E VÍTOR MARQUES, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2013 | 09h00

SÃO PAULO - A fase que antecedeu o rebaixamento do Corinthians, entre 2004 e 2007, foi marcada pelas constantes trocas de treinadores, como lembrou recentemente o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio. O problema é que ele tem usado o mesmo artifício desde que Muricy Ramalho deixou o clube. Paulo Autuori é o sétimo técnico após o tri brasileiro, em 2008.

O Corinthians pós-Série B é a antítese disso. O que chamou a atenção e mostrou a mudança de postura foi que não faltaram motivos para o então presidente Andrés Sanchez, hoje desafeto de Juvenal – antes eles até se encontravam para beber uísque –, demitir alguns treinadores, mas ele resistiu. “Você só deve intervir, demitir o treinador, num caso de exceção”, diz o sucessor de Andrés, Mário Gobbi (leia entrevista exclusiva ao lado).

Um pequeno, mas importante, grupo de integrantes da Gaviões da Fiel pediu a cabeça de Mano Menezes após a eliminação para o Flamengo na Libertadores, em 2010. Mano entregou o cargo, porém Andrés renovou o contrato do treinador. Quando Mano foi para a seleção, Adilson Batista, que durou três meses no cargo, foi a exceção mencionada por Gobbi. Veio então Tite, hoje uma unanimidade, mas que por pouco não sucumbiu após o vexame diante do Tolima, em 2011. O Brasileiro, a inédita Libertadores e o até então impensável Mundial de Clubes vieram depois disso.

Juvenal, enquanto isso, foi descartando treinadores a esmo. Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Carpegiani, Leão, Ney Franco... “Falaram das nossas trocas de técnicos, mas quando lembrei na apresentação do Autuori o que o Corinthians fez nos últimos anos, ninguém gostou de ouvir. A verdade incomoda”, disse Juvenal ao Estado. “Ele falou a verdade, compilou dados que são verdadeiros e anunciou o que já se sabia, não há nada de mais, são fatos públicos”, respondeu Gobbi.

Outro traço que une o São Paulo atual e o Corinthians da “era Alberto Dualib”, vencedora, mas trágica em todos os aspectos, são as contratações sem critério, os tais pacotes de reforços para “acalmar” a torcida.

“Esse time é praticamente o mesmo que conquistou a Sul-Americana, mas não está conseguindo os resultados. Temos um time qualificado para fazer mais do que vem sendo feito, mas sei que é uma fase e vai passar”, defende-se Juvenal, no cargo desde 2006.

As contratações do São Paulo têm sido tiros n’água. As últimas, como Paulo Henrique Ganso, Lúcio, que já está de saída, e até Luis Fabiano, não renderam o esperado e geraram críticas. Para piorar, o dinheiro de vendas como a de Lucas não surtiu efeito. E vender jogadores da base por milhões é talvez o único aspecto em que o São Paulo ainda supera o Corinthians.

Do ponto de vista financeiro, os clubes têm desempenho parecido. Eles arrecadam valores muito próximos com direitos de TV e até bilheteria, ainda que o Morumbi muitas vezes esteja vazio – nos grandes jogos, a renda é alta.

O grande salto do Corinthians, no campo e fora dele, foi a chegada de Ronaldo. Após 2009, as receitas do clube dispararam. “Foi o grande boom do marketing esportivo no Brasil”, afirma Gobbi. “Só foi possível porque o potencial do Ronaldo ninguém tem.”

A ironia é que a contratação de Ronaldo foi anunciada no dia seguinte ao da conquista do tri brasileiro do São Paulo. Ali, os rivais começaram a trilhar caminhos opostos.

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