São Paulo já faz sucesso na China

Na província de Liaoning, na China, pelo menos três equipes dividem o coração dos torcedores. Mas, no momento, a sensação do futebol local é um time com quatro meses de vida, formado apenas por brasileiros e que em 18 partidas amistosas venceu 16 e empatou duas. O São Paulo Liaoning, uma filial do São Paulo criada em parceria com a empresa canadense AKD para divulgar a imagem do clube do Morumbi na Ásia e viabilizar a venda de jogadores a médio prazo, já corre atrás de uma vaga no Campeonato Chinês da Terceira Divisão de 2005. E, se depender do técnico Nei, ex-zagueiro campeão paulista pelo Bragantino em 1990, o sonho de fazer a vida do outro lado do mundo está apenas começando."A China tem um mercado consumidor de futebol muito grande. E a repercussão dos resultados obtidos pelo São Paulo Liaoning já é boa. Tenho certeza de que vários dos nossos jogadores vão atuar nos maiores clubes do país em pouco tempo", disse Nei.A equipe, sediada na cidade de Shenyang, utiliza a estrutura fornecida pela AKD, que montou um centro de treinamento com seis campos oficiais e outro de areia. A empresa também se responsabiliza pelo pagamento dos salários dos jogadores e comissão técnica, e terá participação nas negociações dos atletas. Os treinos são diários, com uma folga semanal."Paralelamente, em parceria com a AKD, que também mantém projetos no país ligados à área da educação, pretendemos montar escolinhas de futebol nos colégios locais. Essas escolinhas terão o nome do São Paulo e vão adotar logística semelhante à utilizada nas unidades que mantemos no Brasil", explica Edson Francisco Lapolla, diretor-adjunto de futebol e responsável pelo projeto, que também está voltado para a comercialização de camisas e produtos licenciados com a marca do São Paulo.Dois jogadores do Liaoning pertencem ao clube do Morumbi. O zagueiro Da Silva e o atacante Ethie. Os demais 20 foram selecionados por Nei após uma peneira que contou com mais de 100 atletas. Para o futuro, o técnico acena com a possibilidade de enxertar chineses no time."Os jogadores locais se inspiram muito nos europeus, principalmente porque as emissoras de tevê transmitem apenas partidas dos Campeonatos Alemão, Inglês e Espanhol. Mas a maioria chega ao profissionalismo com deficiências nos fundamentos que são ignoradas pelos treinadores das categorias de base", explica Nei.A vida sem luxos na concentração não incomoda os brasileiros, que passam boa parte do tempo de folga na Internet ou participando de campeonatos de karaokê, tradicionais na China. "Não dá para sentir saudade do arroz com feijão e torresmo porque até cozinheira de forno e fogão trouxemos do Brasil", brinca o treinador.Simultaneamente, o São Paulo Madrid, outra filial criada pelo São Paulo que desde 2003 brilha nos campeonatos amadores da capital da Espanha, sonha em participar da Terceira Divisão do Campeonato Espanhol. "Estamos estudando uma proposta de uma prefeitura de uma cidade próxima a Madri para disputar essa competição. Mas para deixar o espírito amador de lado e jogar um torneio profissional teríamos primeiro de buscar patrocinadores", explica Lapolla.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 09h18

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