São Paulo joga a culpa na arbitragem

A impressão que os jogadores do São Paulo, o técnico Nelsinho Baptista e o diretor de futebol José Dias passaram é que o ensaio das desculpas para justificar o empate diante do Velez Sarsfield, nesta quinta-feira, pela Mercosul, foi mais bem trabalhado do que a própria preparação para o jogo. Em coro, reclamaram da não marcação de um pênalti após a bola ter batido na mão de um zagueiro argentino no segundo tempo. "A arbitragem foi péssima. Quando um juiz fala muito, inclusive questionando o posicionamento de repórteres atrás do gol, demonstra que quer determinar o ritmo do jogo", reclamou o treinador são-paulino, ainda no vestiário do Morumbi. Seu protesto contra o paraguaio Epifânio Gonzales não parou por aí. "É cobra mandada. Queria um jogo lento para favorecer o adversário."Fica fácil explicar o mau futebol desta maneira. Kaká, por exemplo, lembrou que o jogo foi encerrado antes da cobrança de um escanteio pelo São Paulo. "Ele fez o que quis", insistiu o jogador, ao comentar a atuação de Epifânio. Só então ele entrou na avaliação técnica da partida. "O Velez não saiu para jogar e o São Paulo não está acostumado a atuar assim."Se dentro de campo França não repetiu a boa atuação do jogo contra o Atlético Paranaense, fora dele ganhou nota 10 no quesito originalidade. Sua explicação pelo empate foi digna de risos. "A culpa foi da trave", emendou o atacante, referindo-se às jogadas de Leonardo e Gustavo Nery em que a bola não entrou por capricho. Apesar dos lamentos, França também admitiu que a retranca imposta pelo Velez dificultou em muitos momentos do jogo. "Não tivemos espaços pelas laterais, mas esta situação já era esperada. O adversário poderia até ser o Ibis (equipe pernambucana que é conhecida como a pior do mundo) que a situação não seria diferente". Só faltou a França explicar por que a equipe não conseguiu furar o já previsto esquema defensivo argentino. "Reconheço que nossa paciência deveria ser maior. Mas faltou um pouco mais de movimentação para que criássemos espaços."Nisso, França conta com o respaldo de Nelsinho Baptista. O treinador reclamou que o time insistiu demais pelo meio, diante de um adversário que veio apenas preocupado em destruir. "A gente sabia que o Velez jogaria em cima de nossos erros. Mas não esperava encontrar um time que chutasse a bola para frente e parasse por aí", destacou o técnico são-paulino.Luís Fabiano, que completou nesta quinta-feira o seu 8º jogo sem marcar, mostrou tranqüilidade. "A ansiedade está aumentando a cada jogo, mas pelo menos hoje fui responsável pela jogada que originou o pênalti", comentou. O atacante foi um dos únicos que procurou não culpar a arbitragem pelo resultado. "Eles estavam com oito jogadores atrás e não dava para sair driblando todo mundo. Mas tivemos paciência para jogar. Uma hora o gol iria sair."Negócios - A transferência do volante Maldonado continua indefinida. O diretor de futebol do clube, José Dias, negou a existência de propostas pelo jogador chileno, que disse na semana passada que estava acertando seu empréstimo para o futebol da Itália.

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