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São Paulo quer zerar suas dívidas com instituições financeiras até 2019 Sâo Paulo FC

São Paulo mira fim das dívidas e terá projeção ‘conservadora’ para 2018

Clube tricolor tem previsão de fechar 2017 R$ 80 milhões em dívidas; redução em um ano foi de cerca de 40%

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 07h00

Em sua pior temporada no Campeonato Brasileiro de pontos corridos, o São Paulo conseguiu reduzir mais de 40% de suas dívidas e tem previsão de terminar o ano com um superávit de até R$ 17 milhões, quando o previsto era de fechar a temporada com um déficit de R$ 7,5 milhões.

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A explicação da conta traz o impacto inegável de outra surpresa no ano: a venda de jogadores, que alcançou R$ 156 milhões, mais que o dobro do previsto. Em entrevista ao Estado, o diretor executivo financeiro do clube, Elias Barquete Albarello, explica que 2017 foi ponto fora da curva na história do clube no quesito venda de jogadores e que a projeção para 2018 será feita de forma “conservadora”.

“Manteremos uma previsão de conseguir cerca de R$ 70 milhões com venda de jogadores na próxima temporada”, explica. A título de comparação, o clube recebeu neste ano uma proposta de cerca de R$ 44 milhões do Zenit pelo zagueiro Rodrigo Caio, uma das peças mais valorizadas da equipe. “Isso faz parte do histórico do São Paulo. Essas saídas se dão por inúmeros fatores, e um deles é a vontade pessoal do atleta. Não podemos controlar essa variável.”

Ainda que o São Paulo não receba todo o valor de venda de jogadores nesta temporada, as negociações deste ano compensaram alguns sustos, quando o clube viu o dinheiro de TV diminuir, por causa das eliminações no Paulistão, Copa do Brasil e Sul-Americana, e os juros com os bancos, credores de mais de 60% da dívida do São Paulo, ainda preocupando. Só neste ano, o clube pagou R$ 19 milhões para serviço da dívida.

O diretor garante que não foi só a venda de jogadores que impactou na redução das dívidas, que passaram de R$ 156 milhões no fim do ano passado e devem ficar na casa dos R$ 80 milhões em dezembro. Medidas como a demissão de empregados com altos salários e a renegociação de contratos com terceiros geraram R$ 10 milhões em economia. Além disso, o clube se comprometeu a aplicar até 50% do valor da venda de jogadores na amortização dos débitos. “Temos a meta de zerar a dívida com instituições financeiras em 2019”, afirma Albarello.

O clube busca o equilíbrio entre o financeiro e a competitividade em campo. “São coisas diretamente relacionadas. O torcedor sabe que não dá para você ter um time bom, mas endividar o clube, porque aí não dá para comprar jogador. Precisamos tornar a gestão financeira mais eficiente, para que possamos, de forma adequada, gerar mais recursos para investir.”

O clube prevê poucas mudanças no atual time, que tem folha salarial considerada já no limite: R$ 12 milhões. Ainda assim, Albarello afirma que o desempenho em campo precisa ser ponderado. “Não é que não podemos (fazer contratações). Isso depende da performance. Não podemos fazer com que o time deixe de disputar títulos em nome do que havíamos planejado (financeiramente). Hoje temos uma boa equipe e, com uma ou outra mudança, temos tudo para ter um bom 2018.”

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São Paulo quer manter ingressos a preços populares em 2018

Estratégia é apontada como um dos principais atrativos para a torcida, que demonstrou grande apoio neste temporada

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 07h00

O São Paulo quer manter em 2018 uma estratégia que deu certo nesta temporada: os ingressos a preços populares nos jogos como mandantes. No Brasileirão deste ano, o time conseguiu registrar os cinco maiores públicos do torneio, e o atrativo do preço baixo é apontado como um dos principais atrativos para a torcida, que demonstrou grande apoio mesmo no sufoco do ano.

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“O impacto da torcida nas finanças do São Paulo foi grande”, explica ao Estado o diretor executivo financeiro do clube, Elias Barquete Albarello. “E os preços populares foram bons para o torcedor, mas também para o clube. Devemos manter esses preços em 2018, com poucas alterações em determinados jogos, mas a tendência é manter.”

O São Paulo somou R$ 10,6 milhões em lucro em 19 jogos como mandante na edição deste ano do Nacional, de acordo com os boletins financeiros das partidas. Nos cinco jogos de maior público (contra Grêmio, Coritiba, Cruzeiro, Corinthians e Bahia, todos no Morumbi), somou quase R$ 5,3 milhões, superando toda a renda líquida do Brasileirão em 2016, que foi de R$ 4,5 milhões.

O São Paulo estuda formas de superar essas marcas em 2018. “Planejamos ações para melhorar a experiência do jogador em sua ida aos jogos no Morumbi. Em termos de marketing, o último jogo do ano, contra o Bahia, foi um exemplo disso”, explica Albarello.

No último dia 3, os presentes no estádio para a despedida da equipe da temporada puderam conhecer uma exibição de troféus e camisas do clube e participar de um quiz interativo sobre a história do São Paulo. Um estúdio móvel de tatuagens foi montado para o dia do jogo, que ainda teve uma série de novos produtos sendo comercializados para a torcida. “Isso tudo faz com que o torcedor se aproxime ainda mais.”

O São Paulo vive uma indefinição em seu departamento de marketing. Com a ida de Raí para o futebol, o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva terá de indicar um novo membro para o Conselho de Administração. O principal cotado é Márcio Aith, que atualmente responde pelo marketing tricolor.

Sem Aith, um nome já surge como favorito para substituí-lo: Fernando Fleury. PhD em marketing esportivo com estudos sobre comportamento do torcedor e relação com patrocinadores, Fleury já foi sondado pelo clube, mas ainda não houve uma proposta oficial.

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