São Paulo não amarelou, diz psicóloga

A fama de tropeçar nas horas decisivas tem sido um estigma para o São Paulo nos últimos tempos. Várias equipes foram formadas no Morumbi e sentiram o problema. A última manifestação desse fenômeno foi a eliminação nas semifinais da Libertadores do ano passado, diante do modesto Once Caldas. Hoje, depois da derrota de quarta-feira para a Portuguesa, no Pacaembu, boa parte dos são-paulinos se perguntava se o problema está voltando. Não é o que pensa a psicóloga Kátia Rubio, professora da Faculdade de Educação Física da USP. Para ela, se havia uma equipe com os nervos à flor da pele no Pacaembu, ontem, não era a do São Paulo. Diz a especialista em psicologia do esporte que "vencer a partida era fundamental para a Portuguesa. Para o São Paulo, era só uma das possibilidades de conquista do título" (nas três rodadas restantes, o São Paulo precisa apenas de um empate para ser campeão e, mesmo se perder os três jogos, tem, ainda, vantagem de 13 gols sobre o Corinthians, único time que pode igualá-lo em pontos e número de vitórias). Ela acompanhou o jogo no Pacaembu e acredita que a expectativa pela conquista era maior para a torcida do que para os atletas. "Às 7 horas, todos gritavam ?é campeão?. Mas só os jogadores sabiam da dificuldade de vencer uma equipe motivada". A tal fama de pipoqueiro, dada ao São Paulo nos últimos tempos, é rechaçada: "Foram duas semanas enfrentando a pressão da vinda do título, por um time que passou boa parte do semestre sem perder. Mesmo com jogadores novos, a equipe tem atletas experientes e um líder, que é o Rogério. Dizer que o São Paulo amarela é muito precipitado", explica. Já para o antropólogo José Paulo Florenzano, o trauma da falha nos momentos decisivos não é exclusivo do São Paulo: "Esse é um problema mal resolvido da sociedade brasileira, que se reflete no futebol". Estudioso do futebol há 10 anos, Florenzano diz que o fantasma do "amarelão" aparece de tempos em tempos no futebol. "Isso aconteceu com o Flamengo, contra o Santo André, na final da Copa do Brasil de 2004. E o trauma eterno do brasileiro: o Maracanazzo de 50." Para ele, as circunstâncias que levaram à perda da invencibilidade são casuais: "Basta o São Paulo ganhar o título que tudo será esquecido."

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