São Paulo não consegue vender Ricardinho

Desde a sua contratação, logo após a conquista do pentacampeonato mundial pelo Brasil, Ricardinho tem sido uma grande decepção no São Paulo. Ajudado por empresários, o clube arrecadou R$ 4,5 milhões para tirar o meia do Corinthians. A aquisição foi comemorada pela diretoria do presidente Marcelo Portugal Gouvêa como um título. Além de trazer o que consideravam um grande líder, desfalcariam o grande rival. Só que um ano depois, a insatisfação é generalizada. Nem o São Paulo está satisfeito com Ricardinho. Nem Ricardinho está satisfeito com o São Paulo. "Essa série de contusões que estou sofrendo não é normal. Na verdade, estou vivendo o pior período da minha carreira como jogador.Infelizmente, nada está dando certo", desabafou na semana passada, antes de completar um mês sem jogar. A fibrose, cicatriz no mesmo local da contratura na coxa esquerda, o impede de chutar forte a bola. A contusão se manifestou logo após o diretor de futebol, Juvenal Juvêncio, tornar público o atraso das luvas de Ricardinho. "Ele é um jogador inteligente e sabe que os clubes estão passando por dificuldades financeiras no Brasil. Vamos logo tratar de quitar esse atraso", prometia o dirigente. Na verdade, o clube espera ver depositado o dinheiro da venda de Kaká para acabar com o atraso. Enquanto isso, Ricardinho faz o possível para fugir de entrevistas no São Paulo. Quando não tem como fugir, muito esperto, o meia fica horas com jornalistas sem responder nada efetivamente. Principalmente algo que possa comprometê-lo. A impressão clara é a de que não quer exercer a mesma liderança no São Paulo como fazia no Corinthians.Empresários tentaram negociar Ricardinho durante todo este mês. Agosto é o mês em que os clubes europeus contratam atletas para a temporada. Não houve interesse no meia. Sua irregularidade e as seguidas contusões se juntaram para não indicá-lo aos clubes importantes. Sem clubes interessados, Ricardinho terá de assumir o papel de ídolo deixado por Kaká, vendido ao Milan. Só que não há a menor afinidade dos torcedores com o ex-jogador corintiano. A torcida já cansou de vaiar o meia que já foi um dia visto com orgulho. O péssimo rendimento do jogador em campo também contribui. Oswaldo de Oliveira e Rojas acrescentaram um item obrigatório além de treinar o time: inventar desculpas para o fraco futebol do ex-corintiano. "Ele é um grande jogador. Só que se ressente da companhia dos outros atletas que ficaram no Corinthians. O Ricardo estava mais do que acostumado a atuar com eles. Só que já está reagindo e será o grande líder do meu time", previa Oswaldo de Oliveira que foi demitido esperando pela reação do seu protegido. O discurso de Rojas é mais realista. "O Ricardinho tem grande futebol mas precisa ser parte do grupo. Não pode ter a responsabilidade de levar o time nas costas. Esse tipo de dependência não é bom para ninguém. Mas o Ricardinho precisa ser respeitado por tudo que já fez e ainda pode fazer." Na verdade, a diretoria do São Paulo ainda cruza os dedos esperando uma inesperada oferta do Exterior para vender Ricardinho. Acabou há muito tempo a expectativa de ver o meia assumindo a liderança do time e jogando o grande futebol que obrigou Luiz Felipe Scolari a levá-lo para a Copa do Mundo. O futebol de Ricardinho se estagnou enquanto seu salário foi às alturas. Ele é o atleta que mais recebe no São Paulo - R$ 160 mil mensais - e ainda tem R$ 1,5 milhão a receber de luvas de uma das transações que os dirigentes mais se arrependem na história do clube. E que já custou a cabeça do diretor de futebol, Carlos Augusto Leite e Barros, que apostou tudo na contratação. E perdeu.

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