São Paulo não sabe o que fazer com garotos

Deidson, Carlinhos, Marquem, Rincón e André; Alê, Artur e Chumbinho; Davi, Capi e Maurício. Esses 11 desconhecidos poderiam ser o time do São Paulo para a estréia no Campeonato Brasileiro na próxima quinta-feira, contra o Atlético-PR, no Morumbi. Basta que o time resolva inscrevê-los. Eles fazem parte dos 65 jogadores profissionais que mantêm vínculo com o clube. Do total, fazem parte astros como Rogério Ceni e Luís Fabiano, 11 emprestados a outros clubes brasileiros e dois no Exterior ? Gallo, no Los Angeles Galaxy, da Major League Soccer, dos Estados Unidos, e Oliveira, no Al-Ahli Clube, da Arábia Saudita.Há jogadores que não conseguem um lugar no São Paulo e nem em outros clubes. Como passaram da idade de júnior, ficam ?encostados? em casa, sem lugar para treinar. Recebem em dia e não trabalham. Até o dia em que o contrato acaba e se vêem desempregados, sem saber para onde ir. É o caso de Marquem, que deixará o clube em 1º de julho, quando vence seu contrato de três anos.O primeiro contrato de um jogador é comparado com um ?bingo? pelo supervisor Marco Aurélio Cunha. ?Todo ano há 18 ou 20 novos jogadores para serem profissionalizados. Se a gente faz um contrato longo, de cinco anos, por exemplo, corre o risco de o jogador não dar nada. E, se fazemos um contrato curto, de um ou dois anos, corremos o risco de o jogador se transformar em um craque e ganhar os seus direitos federativos, deixando o clube sem nada.?São os efeitos da Lei Pelé, a qual os clubes ainda tentam se adaptar. ?Eu considero a Lei Pelé boa, mas acho que o clube deveria ter a garantia do vínculo de jogadores que revelou até que completassem 21 anos. Seria uma garantia.?O empréstimo de jogadores deixou de ser solução, segundo Marco Aurélio. ?Antes, o clube emprestava o jogador e recebia por isso. Depois, passou a emprestar de graça. Hoje, tem de pagar o salário dos jogadores que emprestou e, o que é mais grave, vai perdendo o direito sobre o vínculo. Emprestamos o Marco Antônio para o Náutico. Se ele voltar daqui a seis meses, é um tempo que perdemos do direito que tínhamos sobre ele.?A solução, para Marco Aurélio Cunha, é a formação do ?time B?, mas para jogar em outro Estado. ?Não adianta disputar a ?B-200? do Campeonato Paulista. Tem de fazer o São Paulo Futebol Clube/Camboriú, por exemplo, e disputar a Segunda Divisão de Santa Catarina. Seria uma espécie de franquia do São Paulo, com jogadores, comissão técnica, médicos e tudo o que for preciso. Esse novo clube traria novos torcedores para o São Paulo e abriria mercados. Os jogadores poderiam voltar ao clube ou então serem vendidos porque estariam na mídia. E, se você ganhar a Segunda Divisão, poderia disputar a Primeira, ao contrário do que acontece em São Paulo.?Outra vantagem seria não precisar espalhar jogadores emprestados por todo o Brasil. ?Emprestamos o Márcio Luiz para o Sport. Jogou três partidas, não gostaram e mandaram de volta. Ficamos com um atleta desprestigiado. Se estivesse em um time nosso, isso não aconteceria. Estaria sendo acompanhado em cima, teria outras oportunidades e renderia dinheiro ao clube.? É o caso de Diego Tardelli, que o São Paulo prefere manter ?exilado? com os juniores em Barueri a emprestar para os muitos clubes que se interessaram por ele.Um caso típico de jogador que não rendeu glórias e nem dinheiro ao clube é o de Harison da Silva Nery, meia-esquerda que foi um dos principais jogadores na conquista da Copa São Paulo de Juniores de 2000. Assinou contrato em 5 de junho daquele ano até 31/12/2004. Teve chances com Vadão e não se firmou. Foi emprestado para o futebol japonês, onde ficou nos últimos três anos. Assinou contrato com o Guarani para o Campeonato Brasileiro. ?Nós entramos em acordo com o jogador e rompemos o vínculo com ele. Não precisamos mais pagar salários e ele pode tentar a vida no Guarani. Não vamos receber nada ? apenas deixar de pagar?, diz Marco Aurélio Cunha. E o São Paulo, sem Harison, passa a ter ?apenas? 64 jogadores profissionais.

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