São Paulo pega o Fluminense com dilema de ajudar rival

Vencer e ajudar o arquirrival ou entregar e comprometer a imagem da instituição? O dilema atormenta os jogadores do São Paulo, que enfrentam o vice-líder Fluminense, neste domingo, às 17 horas, na Arena Barueri. A equipe tricolor, que poucas ambições ainda tem na competição - sonha com uma vaga praticamente impossível na Copa Libertadores do próximo ano -, pode mudar os rumos do Campeonato Brasileiro.

GIULIANDER CARPES, Agência Estado

21 de novembro de 2010 | 08h06

Claro que os jogadores são-paulinos nem sequer gostam de ouvir falar - pelo menos, publicamente - na hipótese de entregar para o time carioca. Mas há uma corrente muito forte entre a torcida exigindo que a equipe perca. Justificam a demanda anti-esportiva pela rivalidade e lembram que o Corinthians jogou partida displicente contra o Flamengo no ano passado, justamente quando quem disputava o título eram os são-paulinos, mas a taça foi para a galeria dos rubro-negros.

É o tipo de pressão em que os profissionais são-paulinos não querem acreditar. "Não posso entender que o torcedor incentive o time a perder. Para mim seria uma surpresa", afirmou o técnico Paulo César Carpegiani. "Esse tipo de torcedor vai ter de me desculpar, mas tenho dois filhos para educar. Como poderia chegar em casa e dizer para eles que entreguei uma partida? Vai contra tudo o que pregamos, contra o profissionalismo", ponderou Fernandão, visivelmente incomodado com as insinuações de que o São Paulo poderia amolecer a disputa para o Fluminense, vice-líder da competição.

O problema é que jogadores experientes - o volante Rodrigo Souto e os atacantes Dagoberto e Ricardo Oliveira - não poderão jogar por causa de lesão. Atuar sobre uma possível pressão de perder pesará sobre os ombros de jovens como Lucas, Lucas Gaúcho e Casemiro, nenhum com 20 anos completados ainda e todos brigando por espaço no elenco tricolor. "Isso não está certo. O Carpegiani está dando uma mancada (ao colocar as promessas em campo)", disse o integrante da facção organizada, pensando sob uma ética às avessas.

Embora o São Paulo garanta força total na partida, o fato é que perdeu muito de seu poder com as lesões que se sucederam durante a semana. A entrada do jovem Casemiro, no entanto, pode ser uma opção tática. Carpegiani deu pistas de que prefere dar uma chance ao volante para liberar um pouco mais Carlinhos Paraíba para a armação. Jorge Wagner também disputa a posição.

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