Rubens Chiri/saopaulofc.net
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São Paulo precisa de mais 28 pontos para se salvar

Matemáticos ouvidos pelo Estado apontam a pontuação salvadora em 47 pontos

Dani Arruda e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 07h00

Para não ser rebaixado pela primeira vez em sua história no Campeonato Brasileiro, o São Paulo vai ter de aumentar sua média de pontos em 27% no mínimo. Na prática, isso significa elevar o número de vitórias, passando de cinco para sete, por exemplo. Também é fundamental perder menos. No primeiro turno, foram dez derrotas, incluindo a de ontem, para o Bahia. No returno do torneio, poderia perder apenas cinco.

Essas são as projeções feitas por matemáticas e estatísticos a pedido do Estado sobre a situação do clube paulista. “Hoje, a média de pontos por jogo do São Paulo é de 1.1. Para se salvar da degola, o time precisa chegar a 1.4”, explica o matemático e engenheiro Tristão Garcia.

Na avaliação do especialista, o número mágico para o time se salvar é de 47 pontos. Mágico e manjado. Hoje, o São Paulo tem 19. Com isso, teria de fazer mais 28 nas 19 rodadas que ainda tem para disputar no returno. As combinações para fugir da queda são inúmeras, mas, em todas, o Tricolor precisa vencer mais e perder menos, o que parece difícil nesse momento, considerando as últimas rodadas.

Depois de acumular seis jornadas entre os piores, o São Paulo escapou com a vitória épica sobre o Botafogo. Em seguida, voltou a despencar com os tropeços diante de Coritiba e Bahia. Dorival Junior considerava importante virar o turno na parte de cima da tabela principalmente pelo fator emocional e psicológico. Esse cenário repete o calvário que vários times grandes enfrentaram nos últimos anos. No ano passado, o Inter foi para a Série B somando 43 pontos e aproveitamento de 37%. Aos demais que visitaram a segunda divisão, o diagnóstico, dentro do gramado, é semelhante ao do São Paulo: elenco limitado e trocas de técnicos.

O rendimento, porém, varia. Alguns passaram várias rodadas no Z-4. Foi o que aconteceu com Palmeiras (2012) e Vasco (2015), que ficaram 32 e 35 rodadas, respectivamente, entre os piores. Outras equipes fraquejam no fim. Sempre na parte de baixo da tabela, o Corinthians de 2007 entrou no Z-4 pela primeira vez no 27.º jogo. Saiu no 35.º e voltou após o último.

Comando. A troca de técnico é uma constante entre os rebaixados. O Palmeiras começou com Felipão e caiu com Gilson Kleina, anunciado em setembro. O Vasco foi comandado por Doriva, Roth e Jorginho, que permaneceu no time na temporada seguinte e conquistou o acesso.

O Corinthians também trocou de chefe. Foram três vezes ao longo da competição: Paulo César Carpegiani, Zé Augusto e Nelsinho Baptista no ano da queda. Chegou a liderar o campeonato na 7.ª rodada, mas teve queda abrupta: era o 16.º após 14.ª rodada. O Inter também sofreu com a troca de comando. Nesta temporada, o São Paulo começou o torneio com Ceni, foi dirigido por Pintado e hoje tem Dorival Junior no cargo.

ANÁLISE: "São Paulo tem de melhorar sua média de pontos"

"O principal problema do São Paulo é a campanha ruim no ano todo, não apenas no Campeonato Brasileiro. Desde o Paulistão, a equipe vem alternando bons e maus momentos. A média de pontos por partida é de 1.1, muito pouco para o time que é o maior pontuador da história dos pontos corridos, ao longo de 12 edições.

Nos anos anteriores, o clube que terminou em 17.º colocado caiu com a seguinte pontuação: em 2015, o Avaí desceu com 42; em 2014, o Vitória, tinha 38; no ano de 2013, foi a vez de a Portuguesa ser rebaixada ao somar 44. Em 2012, o Sport só fez 41. Por fim, o Atlético-PR somou 41 em 2011 e também caiu.

Como o Campeonato Brasileiro ainda está na metade, com 19 jogos ainda em disputa, ou 57 pontos para serem conquistados, o risco de rebaixamento ainda é baixo para o São Paulo, em torno de 37%. Considerando que um número de pontos seguro para se salvar é de 47, o time precisaria de mais 28 pontos. Não é difícil. A equipe pode, por exemplo, vencer sete jogos e empatar sete. Ou tentar vencer todas as partidas em casa. Não é preciso nem chegar aos 50% de aproveitamento. Com isso, estaria salvo da primeira queda de sua história. Para chegar a esse número, o time precisa aumentar seu aproveitamento em 27%. Esse é o desafio para não cair.

TRISTÃO GARCIA - PROFESSOR DA ESCOLA DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

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