São Paulo quer lucrar no adeus de Kaká

O São Paulo vai explorar a imagem de Kaká até o seu último dia no clube. Embora a transferência para o Milan já esteja definida, o jogador será trunfo importante para a partida de sábado, contra o Criciúma, em Ribeirão Preto. Não tanto pelo lado técnico - mesmo sem o meia, o São Paulo teria boas chances de ganhar o jogo -, mas por seu apelo no aspecto de marketing. Os dirigentes esperam que a presença de Kaká atraia grande público ao Estádio Santa Cruz, principalmente porque deve se tratar de seu último jogo com a camisa tricolor. "Com certeza a presença do Kaká vai levar mais torcedores ao estádio", afirmou Dorival Decousseau, diretor de Marketing do São Paulo. A diretoria espera no mínimo 30 mil pessoas na partida que pode até dar a liderança do Campeonato Brasileiro à equipe - para isso, além da vitória sobre o Criciúma, precisará torcer contra Santos e Cruzeiro. E vai aproveitar a ocasião para fazer uma homenagem a Kaká em sua despedida. Isso só não ocorrerá, se ainda houver alguma pendência importante relativa à negociação. Kaká treinou normalmente entre os titulares hoje e tem participação garantida em Ribeirão Preto - o jogo não será no Morumbi, pois o São Paulo perdeu o mando de dois jogos. Mesmo com a transação concretizada, os dirigentes não temem correr o risco de liberá-lo para jogar. Uma contusão, por exemplo, poderia acabar com o negócio. "Não temos medo, uma contusão pode ocorrer num treino", disse o presidente Marcelo Portugal Gouvêa. O Milan gostaria que Kaká chegasse à Itália, para fazer exames médicos, assinar o contrato e ser apresentado oficialmente, neste fim de semana, mas o São Paulo pediu que os italianos esperassem mais um pouco e que ele viajasse apenas no início da semana que vem, quando os são-paulinos deverão anunciar oficialmente sua venda. O clube de Milão já havia, até, reservado passagens - pela Varig, para as 23h45 de amanhã - para que o meia viajasse com o empresário, Wagner Ribeiro, e um dirigente. Juvenal Juvêncio, diretor de Futebol, admitiu pela primeira vez que Kaká está indo embora e confessou que estava "chutando alto" quando pedia, no início das negociações, a quantia de US$ 15 milhões. O São Paulo vai receber US$ 9 milhões líquidos. "Isso fazia parte da negociação, temos de caminhar com a realidade", comentou. "Disse ao pai do Kaká (Bosco Leite) que qualquer negócio com o Kaká seria mau negócio, mas não tínhamos para onde correr. Daqui a um ano (quando faltariam seis meses para o fim do contrato) ele poderia assinar um pré-contrato com qualquer outro clube e sair sem o São Paulo ganhar nada." Luís Fabiano briga - O atacante mostrou, mais uma vez, nervosismo. Durante o treino, ficou irritado com um lance - considerou ter sido falta, que não foi marcada - e xingou o técnico Roberto Rojas. Foi imediatamente expulso do coletivo. "Foi uma falta de respeito, não comigo, mas com o grupo todo", lamentou Rojas, que, no entanto, não levará o caso à diretoria nem pretende afastá-lo da equipe. "Ele aceitou sair de campo." O atleta deixou o CT sem atender à imprensa.

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