São Paulo reencontra seu "carrasco"

No São Paulo, ninguém esconde que o grande objetivo do clube é voltar à Taça Libertadores. Mas a final do Campeonato Paulista ganhou importância a partir da definição do adversário - o Corinthians, que, no ano passado, se transformou num carrasco do tricolor. Em 2002, os times decidiram título duas vezes. Na Copa do Brasil, o sonho do clube do Morumbi voltar à Libertadores foi adiado. Depois, houve nova decepção no Torneio Rio-São Paulo. A maioria dos protagonistas das duas decisões deverá se reencontrar a partir de domingo. O destaque é Ricardinho, que no segundo semestre do ano passado trocou o Corinthians pelo São Paulo, na transferência mais conturbada dos últimos anos do futebol paulista. A saída do meia do Parque São Jorge acirrou a rivalidade entre as equipes e, pela primeira vez, o jogador deve enfrentar seu antigo clube em uma decisão de título, uma perfeita oportunidade para justificar todo o esforço da diretoria são-paulina para contratá-lo. Mas, ainda existem outros fatores que tornam a decisão especial. No fim do primeiro semestre do ano passado, o técnico Oswaldo de Oliveira foi contratado como peça importante do projeto de reconduzir o São Paulo ao futebol internacional. Até agora, o único título que somou foi a conquista do Supercampeonato Paulista, um torneio esvaziado pelo fato de os principais jogadores das equipes - convocados para a seleção brasileira que disputou a Copa de 2002 - não estarem presentes. Recém-contratado na época, Oswaldo usou a base montada por seu antecessor, Nelsinho Baptista. No Campeonato Brasileiro o São Paulo fez a melhor campanha da primeira fase e ficou invicto por dez partidas. Na ocasião, a equipe era tida como detentora do melhor elenco do Brasil. Mas a eliminação precoce para o Santos na fase seguinte foi um novo balde de água fria nas ambições do time que, desde o início do ano, não consegue manter regularidade em suas atuações. O grupo reveza partidas brilhantes com desempenhos medíocres e o trabalho de Oswaldo de Oliveira passou a ser criticado até pelo presidente do clube. A ansiedade por títulos já se reflete no elenco, especialmente nos jogadores que estão para trocar o clube pelo futebol do exterior, como o meia Kaká e o atacante Reinaldo. Os dois afirmam repetidamente que precisam conquistar um título antes de se despedirem, marcando presença na história do São Paulo como integrantes de uma geração vencedora. Já outros jogadores, como Rogério Ceni, que no início de carreira conheceu a fase vitoriosa do clube, desejam revivê-la não mais como simples reserva, mas como titular incontestável. Por fim, ainda há o fator externo. Enquanto Corinthians e Palmeiras ostentam títulos internacionais na última década, a principal conquista do São Paulo, o bicampeonato mundial interclubes, vai completar dez anos em dezembro e a expectativa da torcida por uma nova geração vencedora é crescente e se reflete na impaciência nas arquibancadas nos jogos nos quais o time se apresenta mal. Do lado dos adversários, cresce cada vez mais a reputação de que o São Paulo não passa de um "time de grife", que ostenta grandeza, mas não vence campeonato.

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