Rubens Chiri/São Paulo FC
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Robson Morelli
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De volta ao São Paulo, Ceni tem sua maior chance na carreira de treinador

Ídolo são-paulino tem como missão inicial livrar o time do rebaixamento e realizar planejamento para retomada em 2022

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2021 | 05h00

Rogério Ceni ainda não acabou de escrever sua história no São Paulo. Há páginas em branco. A primeira parte dela foi linda, vencedora e marcante, num brevíssimo resumo. Levado para a base, esperou sua chance e, quando ela veio, a agarrou para se transformar em um dos principais jogadores do Morumbi, chamado de ‘Mito’ enquanto esteve defendendo o gol da equipe tanto em torneios estaduais quando em grandes competições e decisões. Ceni foi tudo isso, nem mais nem menos.

Antes mesmo de parar, já se vislumbrava nele um treinador nato, organizador de times, mas, como todo iniciante, carente de experiência na nova função. Isso explica em parte o fracasso em sua primeira tentativa de treinador no próprio São Paulo, ainda com o suor da camisa 01 debaixo das vestimentas de comandante. Foi com muita sede ao pote.

Ele tinha de ter passado pelo que passou para se fortalecer, entender que não era mais apenas responsável pelo gol, mas pelo time todo, e que jogador de futebol é um bicho estranho capaz de jogar contra seu próprio técnico. O dissabor da nova profissão também foi sentido no convívio com dirigentes, do próprio São Paulo, mas também do Fortaleza, Cruzeiro e Flamengo, talvez esse último o pior de todos, onde um ‘bom dia’ pode não significar o que as palavras simples significam. Ceni amadureceu o quanto pôde desde que se aposentou do gol do São Paulo, em 2015, para voltar ao Morumbi numa outra condição, um pouco mais pesado, mas ainda tão apaixonado pelo que faz como antes.

Ele mesmo disse que a conversa para sua volta durou minutos apenas, que se não fosse o São Paulo não teria aceitado começar um trabalho faltando dois meses para o fim da temporada, que manteria Hernán Crespo até o fim (eu também). Chegou no mesmo dia em que o argentino foi demitido e já deu seu primeiro treinamento para a estreia no dia seguinte no empate com o Ceará.

Ceni é intenso. Sua cabeça deve estar a mil porque ser treinador do time em que foi ídolo tem, sim, sabor mais do que especial, mesmo a despeito de ser sua segunda passagem pelo Morumbi. Sua tarefa, no entanto, não é das mais fáceis. O futebol de resultados enraizado no Brasil não tem perdoado ídolos. Heróis como jogador, são facilmente desdenhados na função de técnico se as vitórias não aparecerem. Ceni chega para fazer o que Crespo não conseguiu, tirar o time da incômoda ameaça de rebaixamento, construir um grupo mais competitivo e se recolocar entre os melhores do Brasil em 2022, como era no seu tempo de goleiro.

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