São Paulo se dá bem nos bastidores

O São Paulo não tem atuado bem apenas dentro de campo para conseguir chegar à final da Libertadores. O clube está indo tão bem como o time na luta para ser campeão. Um trabalho intenso de bastidores está sendo feito na competição, que tem em sua história muitos casos em que o vitorioso foi definido antes de o juiz apitar o início da partida. Entre os derrotados pelo São Paulo estão o River, a Rede Globo e o Málaga. Na importância dada ao trabalho fora de campo estava a razão de tantos cumprimentos ao agente de viagens Marcos Freire, ao final da partida contra o River. Era chamado por muitos de "embaixador do São Paulo" e assumia, sem mistério, que não é apenas o organizador das viagens do São Paulo. "Se ganharmos essa Libertadores, e eu tenho certeza que vamos ganhar, vai ter a minha mão nesse título", diz. Sua última atuação foi no jogo contra o River. O São Paulo chegou terça-feira à noite, mas ele estava em Buenos Aires na segunda pela manhã. Chegou ao aeroporto e, dali, foi diretamente à Embaixada do Brasil. "Tratei de todo o esquema de segurança que nos levou do aeroporto até o hotel. O embaixador já havia recebido uma carta da diretoria, falando das preocupações com a violência de que poderíamos ser vítimas. Ele falou com a Polícia Federal da Argentina e conseguimos aquela cobertura toda, com vinte motos e oito carros fazendo escolta para a delegação. Mesmo assim, houve pedradas na chegada ao estádio. Imagine se não houvessem os contatos". Enquanto Marcos trabalhava duro, os diretores do clube jogavam em outra ponta. Falavam a todo momento que não seria feito nada de especial em matéria de segurança e que a confiança no River era total. E o presidente Marcelo Portugal Gouvêa agia na terceira ponta, pedindo que os torcedores não fossem a Buenos Aires, para evitar os problemas que acabaram acontecendo. Marcos foi indicado pelo São Paulo para ir até Assunção para exigir que o jogo contra o Tigres fosse mantido em seu dia original, uma quarta-feira, dia 15 de junho, e não para o dia 16, como havia sido adiado, sem consulta ao clube. "Fizemos um trabalho muito bem explicado e mostramos à diretoria da Conmebol que a mudança tinha sido feita pela TV Globo, pensando apenas em seus interesses. E o São Paulo, que tinha uma viagem muito bem organizada, saindo de Belém, onde havia enfrentado o Paysandu, para Monterrey, seria prejudicado. Conseguimos a mudança e não é fácil vencer a Globo nessas coisas", afirma. A contratação de Amoroso teve lances mirabolantes. O jogador, em férias no Brasil, estava voltando à Espanha. No aeroporto de Cumbica, recebeu um telefonema de Milton Cruz pedindo que não viajasse porque o São Paulo tinha interesse em sua contratação. Ele, praticamente, desceu do avião. O contrato foi acertado, mas havia um problema. Amoroso tinha ainda vínculo com o Málaga até dia 30 de junho. E o clube lhe devia dinheiro. Estava pronto o pior cenário. O clube espanhol poderia chantagear, dizendo que a liberação aconteceria apenas se o jogador desistisse da dívida. Marcos Freire viajou para Málaga no sábado, dia 18, quando mal havia chegado do México, onde o São Paulo se classificara perdendo por 2 a 1 para o Tigres. Ele não dá muitos detalhes de como agiu, mas o fax com a liberação de Amoroso chegou à Conmebol na segunda-feira e o jogador atuou na quarta contra o River, no Morumbi. Foi Marcos também que foi até Nicolás Leoz para argumentar a necessidade de um árbitro de bom nível para o jogo decisivo contra o River. Conseguiu. E a vaga começou a ser garantida.

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