São Paulo sofre para obter patrocínio

O presidente do São Paulo, Paulo Amaral, está sofrendo para encontrar um substituto para a Motorola - patrocinadora desde janeiro de 2000 -, que pediu rescisão de contrato e vai deixar o clube em abril. O dirigente contatou algumas empresas nos últimos dias, mas recebeu respostas negativas. A informação foi dada à Agência Estado por uma pessoa da atual diretoria, que preferiu não se identificar. "Está muito difícil, ninguém quer patrocinar o São Paulo. Isso não ocorre apenas conosco, mas com vários clubes. A imagem do futebol brasileiro em geral está desgastada."O São Paulo deve encontrar um interessado em patrociná-lo até o fim do semestre, mas, para isso, terá de aceitar uma considerável redução nos valores do contrato. Atualmente, a Motorola paga R$ 500 mil mensais, mas a previsão de dirigentes do clube é de que o substituto aceite desembolsar, no máximo, a metade dessa quantia.Diretores da Motorola distribuíram um comunicado oficial na última semana para justificar a antecipação do encerramento do contrato com o São Paulo. A alegação foi um "redirecionamento nos investimentos". Foi a solução diplomática encontrada para se despedir do clube. Para a multinacional americana, pagar R$ 500 mil até o fim do ano e esperar o término do contrato não faria grande diferença. A previsão orçamentária já indicava esse investimento. "Foi apenas uma desculpa. A Motorola quis, na verdade, desvincular seu nome do São Paulo e do futebol, que passa por um momento difícil", afirmou o dirigente são-paulino.Segundo ele, a abertura de CPIs, o envolvimento de jogadores e empresários brasileiros com falsificadores de passaportes e a administração duvidosa de dirigentes de muitos clubes estão afastando os investidores do futebol brasileiro.A preocupação da diretoria do São Paulo é com as contas que o clube tem para pagar até o fim do ano. Caso não consiga um bom patrocinador, o déficit poderá ser ainda maior. Pela previsão orçamentária, o Tricolor terminará 2000 com um prejuízo de R$ 15 milhões. Atualmente, as finanças estão equilibradas porque, no ano passado, os passes de vários jogadores foram vendidos para o exterior, rendendo mais de US$ 30 milhões aos cofres do Morumbi.O maior exemplo da desvalorização da "marca São Paulo" nos últimos anos, quando o time não conseguiu repetir o sucesso do início da década de 90, é o contrato assinado com a Penalty, em 1999. A empresa, que tem exclusividade no fornecimento de materiais esportivos, paga R$ 1,5 milhão por ano ao clube. A Adidas, que tinha contrato com o Tricolor anteriormente, pagava R$ 5 milhões por ano, três vezes mais que o valor atual.Os problemas financeiros acabam levando a uma política de contenção de gastos. Os esportes amadores praticamente foram extintos no São Paulo. O time de futebol perdeu em qualidade. A diretoria não comprou o passe de nenhum jogador em 2001. Contratou quatro atletas, sem grande expressão, por empréstimo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.