São Paulo superestimou valor de patrocínio

O São Paulo receberá ?apenas? R$ 6,6 milhões em 2004 pelo contrato de patrocínio que assinará nos próximos dias. O valor, pela atual situação do futebol brasileiro, é, inegavelmente, bom, mas bem inferior ao que vem sendo divulgado por muita gente do clube à imprensa. Pessoas ligadas à cúpula tricolor, buscando valorizar a agremiação e o trabalho de parte da diretoria, anunciaram quantia bem maior do que a realidade indica: cerca de 30% mais - entre R$ 8 milhões e R$ 9 milhões.A Agência Estado teve acesso à carta que o São Paulo enviou à LG Eletronics, parceira desde 2001, em 18 de dezembro, por meio da qual apresentou a proposta da concorrente, a Siemens, de R$ 13,2 milhões por dois anos ou R$ 6,6 milhões por ano (veja ao lado). A quantia é superior, por exemplo, à que o Cruzeiro recebe da própria Siemens, mas é semelhante à que Palmeiras e Corinthians embolsam de Pirelli e Pepsi, respectivamente.Justiça seja feita. O presidente Marcelo Portugal Gouvêa e o diretor Juvenal Juvêncio em nenhum momento falaram sobre valores. Preferiram não abordar o tema por questão ética com seus negociantes.Um aspecto curioso que o documento revela é o pouco tempo que o São Paulo deu para os coreanos tentarem cobrir a oferta dos alemães. Ele foi enviado por volta das 13 horas do dia 18 e o clube pediu resposta até às 16 horas. "Após a data e horário consideraremos como não coberta a proposta, ficando livre o São Paulo..."A carta foi assinada por Eduardo Morato, executivo de Marketing, que explicou a situação. "Eu e o Dorival Decousseau (ex-diretor de Marketing) estivemos durante 11 dias na Coréia em novembro e depois fizemos cinco reuniões no Brasil com a LG para tratar da renovação do contrato. A negociação já vinha se prorrogando, nós precisávamos de uma proposta oficial, escrita, e eles (LG) sabiam verbalmente da existência de outra empresa. Não foram só 3 horas para que dessem resposta."Os coreanos responderam no prazo, mas ofereceram R$ 100 mil a menos e, por isso, o São Paulo anunciou que fecharia com a Siemens. Cinco dias depois, a LG chegou aos R$ 6,6 milhões/ano e ainda ofereceu alguns outros benefícios, mas o clube disse que não poderia voltar atrás. Começou, então, a briga judicial, que ainda não terminou.A LG se julga no direito de continuar como patrocinadora, pois o contrato, que expirou no dia 31, dava prioridade na renovação. Mesmo assim, Gouvêa promete que vai assinar com a Siemens, embora alguns advogados considerem a atitude temerária.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2004 | 09h20

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