São Paulo teme ceder Lugano ao Uruguai

A diretoria do São Paulo teme por aquilo que Diego Lugano mais deseja: a convocação do zagueiro para a Seleção do Uruguai, que enfrentará o Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa de 2006, dia 17, em Montevidéu. A lista dos jogadores que atuam fora do Uruguai sai no domingo.As chances de Lugano aumentaram depois da derrota do Uruguai para a Argentina por 4 a 2, em Buenos Aires. Contra ele pesa a volta do capitão Paolo Montero, da Juventus de Turim, e o 0 a 0 que o Uruguai conseguiu na altitude de La Paz, contra a Bolívia.Caso se confirme a convocação, Lugano poderia desfalcar o São Paulo no jogo contra o Vasco, no Rio, dia 14. E hoje em dia sua ausência causa apreensão. Nada que pudesse ser previsto em sua chegada, em abril do ano passado. Sem nome e sem currículo, foi uma aposta do presidente Marcelo Portugal Gouvêa, que aceitou uma indicação do empresário Juan Figer. ?Falavam que ele jogava porque era protegido por mim. Tenho os recortes guardados e agora fico com vontade de cobrar esses críticos apressados?, diz Gouvêa.Os críticos não foram tão apressados assim. Lugano estreou contra o Atlético-MG, em Minas, e depois levou um baile de Araújo, do Goiás, pela Copa do Brasil. Foi tirado do time. A carreira no São Paulo parecia caminhar para um final rápido e infeliz, mas a personalidade de Lugano jogou a seu favor. Sério, sem brincadeira, o uruguaio passou a treinar cada vez mais. Sozinho, quando todos já se retiravam, tentava melhorar o passe e outros fundamentos. Não se tornou um craque, mas ganhou a confiança de Rojas e terminou o ano como titular.Novo ano, novo técnico e Lugano foi outra vez para a reserva. Fabão chegou recomendado por Cuca e Rodrigo foi indicação de Milton Cruz, o auxiliar-técnico. Lugano só ganhou uma chance com o campeonato em andamento. Para acomodá-lo, Cuca passou a jogar com três zagueiros. Perto de deixar o time, o técnico expressou sua admiração por Lugano: ?Se o São Paulo tivesse mais seis jogadores como ele, estaria em melhor posição no campeonato.?Cuca o considera um jogador muito inteligente. ?Ele não cai em provocações e sabe que dois cartões amarelos valem uma expulsão. Depois que leva o primeiro, toma muito cuidado para não levar o segundo.? Juvenal Juvêncio, diretor de futebol, é seu admirador. ?Ele é um destemido, um homem que não se assusta com nada. É nosso guerreiro. Todos os que o chamam de violento estão enganados.?Leão assumiu o time e manteve os três zagueiros. Considera Lugano um ?batalhador? e, quando se especulou sobre a possibilidade de o time jogar com dois zagueiros, foi o nome de Fabão o que freqüentou as listas como o novo reserva do time.Tosco - O estilo tosco de Lugano sempre causou polêmica. No ano passado, disputou uma bola com Igor, do Atlético-PR, que ficou desacordado. Foi chamado de ?sujo? por Mário Sérgio, que dirigia o time paranaense. No dia seguinte, depois de ver a jogada novamente, Mário Sérgio se desculpou.Fabrício Carvalho, do São Caetano, disse que, ?como todo uruguaio, ele é desleal?, e Elano, do Santos, afirmou que Lugano é muito violento. O uruguaio responde a todos da mesma forma. Diz que considera antiético um jogador contar para jornalistas o que se passa dentro de campo.Lugano tem orgulho de nunca haver sido expulso na carreira como profissional. ?E fui apenas uma vez, quando tinha 12 anos?, conta. Ele, que quando se apresentou ao São Paulo recusou-se a sorrir, com o argumento de que é um homem sério, que não ri à-toa, hoje é um dos jogadores mais bem-humorados do elenco. A camisa com o seu nome é a mais comprada pela torcida são-paulina.Enfim, está de bem com a vida. E vai achar que ela é maravilhosa se confirmar-se a convocação no domingo. ?Jogar pela celeste sempre foi o meu sonho de criança. Sempre lutei por isso. Não vejo a hora que isso aconteça.?

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