São Paulo tenta reagir e convencer

Desestruturado emocionalmente, tenso, sem confiança. Foi essa a imagem que o time do São Paulo exibiu nas últimas três partidas. A conseqüência: três derrotas seguidas (4 a 2 para o Palmeiras, 1 a 0 para o São Caetano e 3 a 1 para o Figueirense, quinta-feira, pela Copa do Brasil). O técnico Nelsinho Baptista dá sinais de que perdeu a batalha para o abatimento que tomou conta de seus jogadores após a derrota no clássico. A equipe vinha embalada. Acumulava sete goleadas consecutivas, dava espetáculos, encantava seus torcedores e os adversários. Era badalada pela mídia. Causou ciúmes em seu vizinho do CT da Barra Funda. O técnico Vanderlei Luxemburgo, do Palmeiras, fez três preleções para seus jogadores antes do clássico. O time palmeirense entrou ´aceso´ em campo. Anulou o meio-de-campo são-paulino. O São Paulo perdeu o clássico e o rumo. Os zagueiros Émerson e Wilson foram expulsos de campo por jogadas violentas. No jogo seguinte, contra o São Caetano, o desequilíbrio continuou. Contra o Figueirense, mais descontrole. Belletti e Kaká discutiram em campo. O técnico Nelsinho Baptista garante que o desentendimento entre o lateral e o meia não foi levado em consideração, mas resolveu promover a volta de Gustavo Nery à lateral esquerda, recolocou Gabriel na lateral direita e mandou Belletti para o banco de reservas. O time mostra que perdeu a confiança. As tabelas entre Kaká e França, que fizeram a diferença na fase das goleadas do time, já não surgem com freqüência. A solidariedade da equipe ? tida por Nelsinho Baptista como aspecto fundamental para o sucesso do time ? já não é vista no gramado. Um lance que aconteceu no jogo com o Figueirense serve para mostrar que a tão comentada união faz parte do passado. França pegou uma bola na área e tinha tudo para marcar o gol. Preparava o chute quando Kaká surgiu e arrematou para fora. França não disse nada. Apenas olhou para Kaká. O argumento que o treinador são-paulino vai usar para tentar, mais uma vez, levantar o moral do grupo é a chance que o time tem de praticamente classificar-se neste domingo para a fase semifinal do Torneio Rio-São Paulo. A equipe soma 23 pontos na competição. Com uma vitória sobre o arquirival, chegará a 26 e dificilmente deixará de garantir uma vaga entre os quatro semifinalistas do torneio. Não é somente o treinador que está preocupado com o futuro do time no Rio-São Paulo e na Copa do Brasil. José Dias, diretor de futebol, e Paulo Amaral, presidente do clube, não escondem que a queda de rendimento assusta. Os dirigentes sabem que se a equipe for eliminada dessas competições a oposição vai ganhar farta munição. A eleição para presidente está marcada para a segunda quinzena de abril. Marcelo Portugal Gouvêa, candidato a presidente na chapa da oposição, investe na candidatura. Ele e Márcio Aranha ? candidato a vice-presidente ? não se cansam de lembrar que o clube não conquista um título importante desde 1994, quando foi campeão da Taça Conmebol. Quando o time ia bem e goleava seus adversários, Paulo Amaral apareceu no CT da Barra Funda sorridente. Sabia que o sucesso da equipe renderia votos no dia da eleição. Chegou até a prometer que o meia Kaká não será negociado até 2005, quando termina seu contrato com o clube. No Morumbi, vários conselheiros garantem que o meia está negociado com o Milan por US$ 20 milhões. O clube italiano já teria adiantado até uma parcela de US$ 2 milhões. Kaká já estaria com a viagem marcada para Milão para logo depois do término da Copa do Mundo. Caso ele não seja incluído na lista dos 23 jogadores que irão disputar o Mundial da Coréia do Sul e do Japão ? o que parece pouco provável ?, Kaká seria ´entregue´ ao clube italiano logo depois do Rio-São Paulo. Briga pelo poder à parte, os jogadores e a comissão técnica do São Paulo apostam na recuperação do time no clássico. Nelsinho Baptista não esconde que vai usar as provocações do atacante Gil para motivar seu elenco. Uma fita de vídeo com as declarações do atacante corintiano será mostrada na preleção para o clássico. O zagueiro Wilson será usado pelo treinador como vítima. O primo de Gabriel é muito querido pelos demais jogadores. É tido como um dos líderes do elenco. Nelsinho Baptista vai dizer aos seus jogadores que Wilson foi humilhado por Gil. Vai exigir uma resposta em campo. O técnico terá o apoio de José Dias na hora do discurso inflamado. O dirigente também vai exigir determinação. A ordem é mostrar a mesma garra exibida pelo Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo na vitória contra o próprio São Paulo por 4 a 2. Taticamente, a exigência é para que o time volte a ser aplicado na marcação como era até perder para o Palmeiras. A volta do chileno Maldonado é a grande esperança de Nelsinho para tornar a equipe mais deteminada. Com o retorno de Maldonado, Jean volta para o banco de reservas. Nelsinho gosta do futebol de Jean, mas o considera excessivamente técnico, incapaz de parar uma jogada com falta. Outra qualidade do time que será muito explorada serão as jogadas de Gabriel pela direita. A estratégia é explorar as descidas do corintiano Kléber. O treinador também aposta nos chutes fortes de Gustavo Nery. Nelsinho acha que a reserva mexeu com o ânimo do lateral-esquerdo. A lentidão de Rogério, lateral-direito do Corinthians, também será explorada no desenho tático de Nelsinho Baptista. No ataque, o treinador quer que Kaká e França voltem a tabelar, para tirar proveito da lentidão da dupla de zaga do Corinthians, formada por Scheidt e Fábio Luciano. E de Souza, Nelsinho espera o óbvio: mais vontade.

Agencia Estado,

30 Março 2002 | 17h20

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