Sérgio Neves/Estadão
Sérgio Neves/Estadão

São Paulo vai ficar devendo uma das promessas de mobilidade para a Copa

Ligação entre a Radial Leste e a Avenida Jacu-Pêssego, parte do pacote do Itaquerão, teve obra cancelada

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2014 | 16h00

SÃO PAULO - Três imponentes viadutos que surgiram sobre a Radial Leste, na zona leste de São Paulo, podem dar a impressão que de as obras paulistas para a Copa estão em ritmo acelerado. Mas não estão. Desde outubro de 2012, estão atrasadas em relação ao cronograma previsto e, das cinco intervenções planejadas para a região, uma vai ficar para depois dos jogos do Mundial. Além disso, o orçamento está 21% maior do que o original.

Com uma linha de metrô ao lado da Arena Corinthians, São Paulo abriu mão de investir em transporte público para os jogos. O que está em execução são obras viárias: duas avenidas interligando a área a sudeste do estádio à Radial Leste, um túnel na Radial, na região da estação de metrô, e uma rotatória. São serviços de responsabilidade do governo do Estado, por meio da empresa Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa). Há ainda uma passarela para pedestres ligando o estádio à Estação Itaquera.

Em setembro de 2012, quando as obras começaram, a previsão é que chegaríamos a janeiro com 87% dos serviços concluídos. A Dersa está um pouco atrás disso: 83% de conclusão.

"O que tem nos ajudado é que está chovendo pouco. Tem gente trabalhando nos três turnos. Vamos terminar tudo no prazo, sim", disse um operário ao Estado na semana passada.

"Ter diferenças entre o que foi previsto e o que foi realizado é normal em uma obra", afirma o presidente da Dersa, Laurence Casagrande Lourenço. "Quando você executa a obra em velocidade acima do previsto, às vezes é ruim porque será preciso brecar lá na frente. Pode haver problemas de fluxo de caixa. No nosso caso, tivemos atraso em dezembro (de 2012) por problemas com desapropriações." Lourenço diz que as obras estarão prontas até março. "O pessoal está mobilizado, é uma questão apenas de fechamento de obra.’’ O prazo contratual para o fim dos serviços é abril.

CANCELAMENTO

A promessa de cumprimento dos prazos, por outro lado, vem depois do cancelamento, em outubro passado, da principal obra planejada para a Copa. Seria uma ligação entre a Radial Leste e a Avenida Jacu-Pêssego, uma via que faz ligação com a Marginal do Tietê e, principalmente, com o Aeroporto de Guarulhos. "Tivemos um atraso decorrente de desapropriações a cargo da Prefeitura", explica Lourenço.

Segundo o planejamento das obras, enquanto as demais intervenções foram pensadas para evitar gargalos no trânsito local, essa alça faria a conexão da região com o restante da cidade, que agora será feito apenas pela Radial Leste.

Quando tudo for entregue, entretanto, as obras terão custado R$ 54 milhões a mais do que o planejado. Elas foram orçadas em R$ 257 milhões, mas o Estado fez uma revisão de gastos em novembro, chegando agora a R$ 311 milhões. Incluindo os custos com desapropriações, as obras de mobilidade paulistas vão custar R$ 548,5 milhões, R$ 150,6 milhões dos quais sairão dos cofres da Prefeitura de São Paulo. O Estado alega que os gastos extras são decorrentes de mudanças no projeto original, como medidas de proteção a dutos de gás e a muros da CPTM.

Embora o metrô não faça parte dos projetos que contaram com recursos específicos para a Copa, o governo do Estado afirmou, após a confirmação da Arena Corinthians como estádio do Mundial, que iria instalar um novo sistema de controle dos trens na Linha 3-Vermelha, que a tornaria mais rápida. O contrato foi assinado em 2008, por quase R$ 800 milhões, com a empresa Alstom. O sistema ainda não foi instalado e o Ministério Público Estadual conseguiu suspendê-lo na semana passada, alegando suspeitas de superfaturamento.

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