Rubens Chiri/São Paulo
Rubens Chiri/São Paulo

São Paulo supera o Goiás fora de casa e assume a liderança do Brasileirão

Equipe tricolor ganha por 3 a 0, em Goiânia, e ultrapassa o Atlético-MG na tabela do campeonato, mesmo tendo um jogo a menos

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 20h57

Fernando Diniz merece celebrar a liderança do Campeonato Brasileiro. Um dos técnicos há mais tempo no cargo no País, ele comandou o São Paulo na vitória por 3 a 0 em cima do Goiás, em Goiânia, nesta quinta-feira, e viu o clube chegar aos 44 pontos na tabela, dois a mais que o vice-líder Atlético-MG, com um jogo a menos. O treinador sempre viveu sob olhares de desconfiança da torcida e de parte da própria diretoria. Apoiado quase que exclusivamente pelo diretor Raí, ele colhe os frutos do seu trabalho, que várias vezes na temporada esteve a ponto de ser interrompido por uma demissão.

O treinador amadureceu nos últimos meses e criou casca. Se antes a equipe insistia em sair jogando dentro da sua área, mesmo quando sua defesa era pressionada, agora o time parece encontrado um ponto de equilíbrio entre o chutão e o toque de bola, necessário para qualquer time que tenha em mente a conquista de um título.

Durante a temporada, no momento de maior pressão (após a eliminação no Paulistão, com derrota para o Mirassol, no Morumbi), o técnico trocou a defesa e apostou em Brener como principal atacante. Aos poucos, o time encorpou. Ganhou ainda mais força após vencer o então favorito a todos os títulos do ano, o Flamengo. No Maracanã, em dia de exibição de gala, o São Paulo fez 4 a 1 pelo Brasileirão e mostrou que poderia chegar à liderança.

Nesta quinta-feira, a missão não era das mais difíceis quando a análise é em cima do adversário. O Goiás é um arremedo de time, que troca poucos passes e está fadado ao rebaixamento à Série B. O lado psicológico era o que mais poderia pesar para os jogadores do Tricolor. Mas nem isso os jogadores sentiram.

Muito bem entrosado e muito bem distribuído em campo, o time de Fernando Diniz começa a ganhar confiança para buscar a taça e encerrar o incômodo jejum de títulos do clube. A experiência dos mais rodados e a juventude dos garotos da base (os chamados Made in Cotia) deu liga.

Marcando o rival no campo de ataque, o São Paulo começou o jogo empurrando os goianos para a sua própria área. Aos poucos, os donos de casa começaram a errar. Aos 11 minutos, Brenner arriscou, mas a bola explodiu na defesa. Mas aos 19, o primeiro gol do jogo saiu. Em boa recuperação no campo de ataque, a bola sobrou para Igor Gomes, que livre na entrada da área, teve tempo para dominar, ajeitar e chutar forte no canto direito do goleiro Tadeu.

O gol e a fragilidade do adversário, por incrível que pareça, fizeram mal ao São Paulo e esse é um dos problemas do time de Fernando Diniz. A equipe poderia ter acelerado para tentar definir o resultado ainda na primeira etapa, mas optou por um futebol burocrático, pouco inspirado, desanimado – nem parecia que o jogo estava valendo a liderança da competição.

O intervalo fez muito bem ao São Paulo. O time voltou com ânimo renovado e logo aos três minutos ampliou o placar após linda triangulação entre Luciano, Gabriel Sara e finalização precisa de Brenner – foi o 18.º gol do atacante em 31 jogos na temporada.

O São Paulo, desta vez, não desacelerou. Perdeu alguns gols, mas chegou ao terceiro aos 37. Vitor Bueno entrou na área com a bola, tocou para Tchê Tchê, que rolou para Hernandes tocar na saída de Tadeu.

Fernando Diniz mereceu chegar à liderança do Campeonato Brasileiro. Agora, resta saber se ele também vai merecer continuar com o time no topo da tabela e conquistar o título.

FICHA TÉCNICA

GOIÁS X SÃO PAULO

Goiás: Tadeu; Igor Mendonça, Fábio Sanches (Rafael Moura), Heron e Ratinho (Pintado); Breno (Pedro Marinho), Ariel Cabral (Henrique Lordelo), Gustavo Blanco e Rodrigues; Keko (Daniel Silva) e Fernandão. Técnico: Glauber Ramos.

São Paulo: Volpi; Juanfran (Igor Vinícius), Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Luan, Daniel Alves, Gabriel Sara (Tchê Tchê) e Igor Gomes (Vitor Bueno); Luciano (Hernanes) e Brenner (Pablo). Técnico.: Fernando Diniz. Juiz: Caio Max Augusto Vieira (RN).

Gols: Igor Gomes, aos 19 do 1º Tempo, Brenner, aos 3, Hernanes, aos 37 do 2º Tempo.

Amarelos: Iago Mendonça, Rodrigues e Keko.  

Local: Estádio da Serrinha, em Goiânia. 

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