São Paulo x Palmeiras: os cinco clássicos mais polêmicos

Brigas, doping, decisões, títulos e conspirações marcaram a história do confronto

Mateus Silva Alves, O Estado de S. Paulo

10 Março 2013 | 09h02

SÃO PAULO - Cada partida entre São Paulo e Palmeiras é especial simplesmente porque se trata de uma das mais acirradas rivalidades do futebol brasileiro. Vencer o tradicional adversário é uma questão de honra para tricolores e alviverdes, mesmo que não esteja em jogo um troféu ou uma classificação para uma final. Com tanta tensão no ar a cada encontro, é natural que alguns clássicos entre os dois clubes terminem em confusão - e algumas das confusões ocorridas em partidas entre São Paulo e Palmeiras estão entre as mais marcantes da história do nosso futebol. A seguir, listamos os cinco momentos mais polêmicos da história do embate que é conhecido como Choque-Rei:

1º) O Palmeiras nasce campeão Palmeiras 3 x 1 São Paulo - Campeonato Paulista (10/9/1942)

A explosão da rivalidade entre São Paulo e Palmeiras tem data: 20 de setembro de 1942. Foi quando se decidiu o Campeonato Paulista da temporada. Os dois clubes se enfrentaram para saber quem seria o campeão estadual daquele ano, mas não foi exatamente isso o que fez a rivalidade entre eles ir às alturas. Como vários outros clubes ligados aos países que formavam o Eixo na Segunda Guerra Mundial (Alemanha, Itália e Japão), o Palestra Itália teve de mudar de nome. A primeira ideia era adotar o nome Palestra de São Paulo, mas as pressões continuaram e a saída foi chamar a agremiação de Palmeiras.

Ocorre que dirigentes palestrinos acusavam o São Paulo de ser o principal responsável por essas pressões - a alegação era que os cartolas tricolores queriam provocar o fim do clube alviverde para ficar com seu patrimônio. Por coincidência, o primeiro jogo do Palmeiras foi justamente contra o rival, e valendo taça. Movido pelo desejo de se vingar dos são-paulinos, o time do Parque Antártica venceu por 3 a 1 - e poderia ter sido mais se os jogadores do São Paulo não tivessem abandonado o jogo após a marcação de um pênalti para o Palmeiras.

2º) Um gol anulado entra para a história São Paulo 1 x 0 Palmeiras - Campeonato Paulista (27/6/1971)

O gol mais famoso da história do clássico entre Palmeiras e São Paulo não foi validado. Na última rodada do Campeonato Paulista de 1971, o time alviverde precisava vencer seu rival para ser campeão. O São Paulo, que jogava pelo empate, deu um duro golpe no adversário logo aos cinco minutos do primeiro tempo, quando o artilheiro Toninho Guerreiro colocou a equipe em vantagem no placar.

Depois disso, o Palmeiras fez o possível e o impossível para virar o jogo, atacando incansavelmente o rival, mas nada de o gol sair. Até que aos 23 minutos da etapa final o gol finalmente saiu, mas acabou se transformando em uma enorme frustração para a torcida alviverde. De cabeça, Leivinha venceu a brava resistência são-paulina, mas ao cabecear a bola ele fez um movimento que colocou seus braços próximos da cabeça.

Foi o suficiente para fazer o árbitro Armando Marques acreditar que o gol foi marcado com a mão e anular o tento. Os protestos do Palmeiras foram efusivos, mas inúteis. O time perdeu por 1 a 0 e viu o adversário festejar um bicampeonato que até hoje é contestado pela torcida alviverde.

3º) O clássico da briga. E do doping Palmeiras 2 x 1 São Paulo - Campeonato Paulista (9/9/1984)

O duelo que alviverdes e tricolores travaram no Paulista de 1984 foi tenso. Bastante tenso. Não faltaram lances ríspidos e, ao fim da partida, o meia são-paulino Pita e o zagueiro palmeirense Vagner se desentenderam e isso deu início a uma briga que envolveu vários jogadores. Mas o pior estava por vir. Alguns dias depois do clássico, a Federação Paulista de Futebol revelou que o exame antidoping feito pelo meia Mário Sérgio, o principal jogador do Palmeiras, havia dado positivo para anfetamina.

A notícia caiu como uma bomba atômica no Palestra Itália. Além de ter ficado sem Mário Sérgio por três meses, período que durou sua suspensão, o Palmeiras ainda perdeu os pontos que havia ganho no triunfo sobre o São Paulo, o que muito revoltou os dirigentes palmeirenses.

O incidente praticamente acabou com as chances de o Palmeiras ganhar o torneio. Até ali, a equipe liderava a competição e era a principal candidata ao título, mas o caso de doping provocou uma queda de rendimento vertiginosa e o time terminou o campeonato apenas na quarta colocação.

4º) Gerson Caçapa marca o 'gol maldito' Palmeiras 1 x 0 São Paulo - Campeonato Paulista (17/7/1988)

Essa partida tem um lugar de honra na história do clássico porque envolveu um terceiro elemento. E um elemento muito especial: o Corinthians, maior rival tanto do Palmeiras quanto do São Paulo. Na última rodada da fase semifinal do Paulista de 1988, são-paulinos e corintianos disputavam um lugar na decisão. Enquanto Palmeiras e São Paulo se enfrentavam no Morumbi, o Corinthians jogava contra o Santos no Pacaembu. Para se classificar, o time do Parque São Jorge precisava vencer seu rival alvinegro e torcer para o São Paulo não derrotar a equipe alviverde.

Por causa disso, não foram poucos os palmeirenses que desejaram uma derrota de seu time naquele dia, tudo para prejudicar o Corinthians. Durante a semana que antecedeu o clássico, os jogadores do Palmeiras foram pressionados por torcedores a entregar o jogo para o São Paulo e a polêmica se instalou. Apesar da pressão, o time alviverde venceu os tricolores por 1 a 0 e ajudou os corintianos, que venceram o Santos e foram à final. O autor do gol do clássico do Morumbi, o volante Gerson Caçapa, ficou marcado para sempre por causa daquele que os palmeirenses chamam de "gol maldito".

5º) Edmundo provoca confusão. E sai do estádio disfarçado São Paulo 2 x 2 Palmeiras - Campeonato Brasileiro (30/10/1994)

Um único jogador é capaz de transformar uma partida de futebol em uma batalha campal e ainda levá-la a uma "prorrogação" em uma delegacia de polícia? Se alguém acredita que não, é porque nunca ouviu falar em Edmundo. No clássico entre Palmeiras e São Paulo válido pelo Brasileirão de 1994, o Animal estava "inspiradíssimo". A poucos minutos do fim, ele discutiu com Kalef João Francisco, na época diretor de futebol do São Paulo, que estava no banco de reservas tricolor.

Depois, Edmundo fez uma falta violenta em Euller e, na sequência, discutiu com Juninho Paulista. Ambos foram expulsos. Quando saía de campo, o atacante revelado pelo Vasco deu um soco em André Luís e isso desencadeou uma pancadaria que envolveu quase todos os jogadores que estavam no gramado - e até alguns reservas que invadiram o campo para brigar. Horas mais tarde, André Luís prestou queixa em uma delegacia próxima ao Morumbi contra Edmundo, que viveu uma situação bastante inusitada na saída do estádio: para não apanhar dos torcedores são-paulinos que o esperavam na porta do Morumbi, o Animal saiu disfarçado de policial militar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.