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Saudade de Ronaldinho

Queria que Ronaldinho não acabasse, mas entendo sua felicidade no que faz

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2017 | 03h00

Semana passada fui ver Ronaldinho Gaúcho em São Paulo. Sou do tempo em que todos queriam ver Ronaldinho Gaúcho. Na seleção e no Barcelona. Ronaldinho, agora chamado de Bruxo, parava o trânsito, provocava frisson, levava o torcedor, de qualquer país, ao delírio com sua presença. Não entrava em lugar nenhum sem ser notado ou sem bagunçar o coreto. Bastava um aceno para tudo explodir. Foi eleito o melhor do mundo, em 2004 e 2005, quando fazia miséria no Barcelona. Messi ainda era um menino.

Não havia outro como Ronaldinho. Mas nesse evento em São Paulo, dentro de uma loja de material esportivo, Centauro, Ronaldinho fez a vez de garoto-propaganda das novas camisas do Barcelona, de quem é embaixador.

Ele subiu ao palco, respondeu perguntas do apresentador, viu o show de habilidade com a bola de um grupo e a apresentação de dança de outro. Sempre com aquele sorriso. Vi Ronaldinho em Copas, sendo aplaudido pelos torcedores do Real Madrid dentro do Bernabéu, fazendo o diabo em campo, mesmo quando ainda não era Ronaldinho, em 1999, na Copa América do Paraguai.

Por isso achei deprimente sua participação naquele evento, vendendo sua presença numa loja de departamento de shopping para que a empresa vendesse camisas do Barça. Havia, se tanto, 200 pessoas, muitos convidados e poucos interessados, de fato, no meia.

Depois, comecei a achar que Ronaldinho estava feliz ali no palco, assinando as camisas, dando autógrafos e tirando fotos e selfies. Vi garotos, de 10 a 13 anos, chorando de alegria ao mostrar para as mães a assinatura do brasileiro. Meu filho não se interessou em ir comigo. Preferiu ficar em casa vendo TV.

Com o tempo, fiquei no meio do caminho entre condenar Ronaldinho e entender sua felicidade. Ele que ainda não encerrou oficialmente a carreira. Pensei em Pelé, Maradona, Ronaldo e tantos outros que foram geniais. Pelé vive até hoje de sua imagem. Faz exatamente a mesma coisa que Ronaldinho fez em São Paulo, com a diferença que não joga mais. Ronaldinho Gaúcho ainda faz partidas amistosas pelo mundo.

Maradona também se vale de sua imagem e do que fez pela Argentina e Napoli. Não tem muito sucesso como treinador (é o técnico do Al-Fujairah, dos Emirados Árabes). E sempre provoca polêmica com suas declarações. Recentemente, disse ser um soldado do presidente Maduro, da Venezuela.

Ronaldo virou uma ‘empresa’. Trabalha com sua imagem e dos negócios.

Temos a tendência de olhar para os jogadores excepcionais do passado e imaginar o que queríamos ver neles, como um treinador importante, um profissional de relevância no futebol, um dirigente inovador. Então, cheguei à conclusão de que Ronaldinho tem o direito de ser feliz do seu jeito, fazendo seu samba, participando de eventos promocionais e de partidas amigáveis em alguma parte do planeta.

NEYMAR

A estreia de Neymar no PSG foi como se imaginava. Fazia tempo que não acompanhava um jogo do Campeonato Francês do começo ao fim. Imagino não ter sido o único. O Paris Saint-Germain ganhou de 3 a 0 do Guingamp. Neymar foi o dono do time e do jogo. Atuou sem posição fixa. Deu passe para gol e fez o seu. Teve dia de Messi. E será assim em Paris até o fim. Achou em Cavani seu primeiro parceiro ideal. Falta se aproximar de Di María, só para continuar com um uruguaio e outro argentino ao seu lado, como era no Barcelona, com Messi e Suárez. Formará em breve o trio NCD. Sem o brasileiro, o Barcelona apanhou de 3 a 1 do Real Madrid dentro do Camp Nou. Coincidência?

MORUMBI

O São Paulo ganhou do Cruzeiro com gol de pênalti que não foi. Hernanes marcou duas vezes nos 3 a 2. Hoje, a torcida é melhor do que o time: 56 mil no estádio.

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