"Sazonal", Portuguesa Santista sonha alto

O jogo de domingo contra o Palmeiras, pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista, pode ser o último da Portuguesa Santista no ano. Com qualquer resultado, ou mesmo conseguindo conquistar o título estadual, o time que surpreendeu na primeira fase e venceu o Corinthians na última rodada deve fechar seu departamento de futebol profissional e só reabrir no final do ano, para a temporada 2005.A perspectiva é do presidente da Santista, Carlos Alberto Amado Costa, empresário do setor da construção. As férias forçadas só não vão acontecer se surgir uma parceria que ajude a custear a equipe na Série C do Campeonato Brasileiro, com início previsto para setembro.A possibilidade de uma parceria é vista com cautela. Principalmente após a experiência do segundo semestre do ano passado, quando o departamento de futebol foi arrendado pela Futura Esportes, do empresário/técnico Israel de Jesus. O clube rescindiu o acordo alguns meses depois, porque os torcedores se sentiram ridicularizados com as peripécias de Israel, defensor do esquema ?Roleta Russa Gigante?, no qual nenhum jogador guardava posição no campo. O time fracassou na Série C do Brasileiro e foi eliminado ainda na primeira fase.O resultado foi uma briga judicial e uma ridícula situação de dois times se preparando para o Campeonato Paulista. "Isso me cansou demais", lamenta o presidente Amado Costa. "Foi muito difícil fechar o elenco deste ano. Um jogador vinha conversar, lia nos jornais que havia duas equipes e tinha medo de assinar conosco e não jogar o Campeonato Paulista. Perdemos muitos jogadores desse modo."O clube apostou no técnico Belarmino Almeida Júnior, o Nenê, ex-jogador do Santos, com passagens pelo futebol mexicano. E contentou-se com jogadores que estavam sem clubes ou queriam disputar o Paulista como ?vitrine?."Os jogadores que acertaram com a gente não estão interessados em dinheiro. Não temos como pagar altos salários. Eles buscam uma chance para reaparecer no cenário do futebol e receber melhores propostas no final do campeonato", admite Amado Costa.É o caso de jogadores como Márcio Santos, Gilmar Fubá e Axel, que já passaram por grandes clubes e estavam no ostracismo.É um clube sem luxos. Os jogadores solteiros moram juntos, em duas casas que o clube mantém na cidade. Os casados têm uma regalia: moram em apartamentos. A folha salarial é de apenas R$ 75 mil/mensais. Mesmo assim, o clube é deficitário. Os dirigentes estimam um prejuízo em torno de R$ 15 mil por partida no Campeonato Paulista.Mesmo com tantas dificuldades, a Portuguesa classificou-se em segundo lugar no Grupo 1, com 15 pontos, derrotando o Corinthians, no Pacaembu, por 1 a 0, na última rodada. No ano passado, foi uma das surpresas do Campeonato Paulista, conquistando a terceira colocação."Não sei o motivo do sucesso por dois anos seguidos. É um time sem estrelas. O fato de os jogadores morarem juntos dá muita união ao grupo. E aqui todos querem vencer no futebol, sonhando com um futuro melhor", diz o presidente. O técnico Nenê, que aspira dirigir um time no Brasileiro, concorda: "Todos querem seu lugar ao sol, inclusive eu."

Agencia Estado,

18 de março de 2004 | 09h45

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