S.Caetano abre mão do jogo ofensivo

A fisionomia de jogadores e integrantes da comissão técnica revelam constrangimento diante do assunto. Mas a verdade é que o São Caetano não é mais o mesmo. A equipe sucumbiu ao sucesso e, diante da pressão de uma final de Taça Libertadores (o primeiro jogo da decisão contra o Olimpia será amanhã às 21h40, no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, com transmissão da TV Globo), admitiu abrir mão de seu maior patrimônio, responsável pela fama do clube nos últimos anos: o jogo bonito, ofensivo. Ao contrário das duas finais consecutivas de Campeonato Brasileiro - em 2000 contra o Vasco e 2001 diante do Atlético-PR, em ambas o time ficou com o vice-campeonato -, atualmente já se ouve no ABC expressões como "segurar o jogo" e "ficar atrás". E a justificativa para isso é a experiência. "Não podemos sair feito loucos. É preciso esperar, segurar o jogo na defesa, estudar o adversário e explorar os espaços que vamos ter para os contra-ataques", afirmou o meia-atacante Anaílson. "Aprendemos muito com os dois vice-campeonatos brasileiros." Porém, um detalhe parece estar no centro dessa mudança. Nas duas vezes em que disputou o título nacional, o simples fato de decidir a competição era apontado pela própria diretoria como suficiente para as pretensões do clube. Agora a realidade é outra. A final é importante, mas não é tudo. Pela primeira vez, existe a pressão pelo título. "Chega de vice", dizem os atletas. "Essa cobrança sempre existiu aqui dentro. Mas agora é diferente, já que as pessoas de fora também falam isso", afirmou o meia Adãozinho, um dos mais experientes do grupo. Até mesmo o técnico Jair Picerni se dobrou às evidências. Autor da filosofia do ?quanto mais gols melhor?, hoje tenta readaptar o discurso. "As pessoas gostam de ver o São Caetano por causa da nossa forma de jogar. Ainda vale aquela história de estar tudo bem sofrer três ou quatro gols desde que façamos seis", disse. "Porém, um 0 a 0 fora de casa na final da Libertadores é um resultado a ser considerado."

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