Scolari quer futebol de resultados

O técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, subiu nas tamancas. Após o coletivo que definiu e equipe que enfrenta o Peru amanhã, às 18 horas, na segunda rodada do Grupo B da Copa América, o treinador deixou de lado todo a conduta ´light´, que disse ter aprendido com os mineiros, e foi taxativo ao comentar o que espera da partida. "Vou aproveitar para deixar uma coisa bem clara: um empate por 0 a 0 está muito bom", afirmou. "E podem reclamar, ficar bravo comigo, não quero nem saber. Estou pouco ligando. Daqui para frente é assim: bico para o mato que o jogo é de campeonato." Scolari reagiu ao que chama de "pressão injusta" a qual estão sendo submetidos seus jogadores. Para ele, o atual grupo não tem culpa de nada. O péssimo momento da seleção se deve, sim, a outros jogadores, técnicos e dirigentes que passaram por lá e não produziram o que se esperava deles. "Esses guris aqui não podem ser responsabilizados por isso. Mas sim, aqueles que já passaram por aqui antes, de 1993, 1994 para cá", afirmou. "Eu jamais vou deixar a culpa recair sobre meus atletas. Isso só vai acontecer quando eu tiver 50 opções e puder escolher todas as feras que quiser. Aí eles terão essa responsabilidade." A solução para a situação do time, definida pelo próprio técnico como "fundo do poço", é relativamente simples, pelo menos na teoria. Ele quer que seus atletas sejam tratados com mais carinho pela imprensa e pela torcida. Assim, disse acreditar, terão mais tranqüilidade para jogar bem. "Talvez desse jeito consigamos tirar o pé do barro." É nesse ponto que se encontra a estratégia do treinador para reverter o nebuloso cenário. Ele decidiu, pelo menos agora, adotar o ´futebol de resultados´. A idéia é conquistar vitórias que devolvam aos jogadores a confiança que tem faltado nos últimos tempos, mesmo que o espetáculo seja sacrificado. Então, com a auto-estima de volta, seria o momento de deixar a equipe mais solta e, quem sabe, jogando bonito.Gritaria - Além de entrar no campo com uma equipe reformulada diante dos peruanos - entram Belletti, Juan, Eduardo Costa, Júnior, Guilherme e Ewerthon -, Scolari vai insistir para que seus atletas adquiram uma qualidade que, para ele, é fundamental: falar muito durante a partida."Oriento o tempo todo para que eles (jogadores) conversem mais", observou. "Pelo amor de Deus. Para ter um ´bom dia´ do Juan ou do Roque Júnior é um sacrifício!" Mas se nada disso der certo, o treinador da seleção já disse que não vai se sentir muito incomodado em ter de voltar à velha rotina dos clubes. "Se eu tiver de voltar para o interior do Rio Grande do Sul para ganhar R$ 5 mil, não tem o menor problema", garantiu.Vítima - Mas, na opinião de alguns jogadores, essa história de que um empate sem gols amanhã é um bom resultado parece não ter convencido. "Eu acho que a gente tem de ir com tudo para cima do Peru e fazer com que eles paguem o pato por todo esse momento ruim pelo qual o Brasil está passando", disse o lateral-direito Belletti, o último a se apresentar. "O Belletti chegou aqui só agora e ainda nem está enturmado. Mas é claro que temos de ir para cima", comentou Scolari.

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